sexta-feira, 21 de novembro de 2008

RE: O Funk é Rastafári!

Numa outra postagem minha, falei um pouco das semelhanças do Funk carioca e do Dancehall jamaicano – tanto musicais, quanto culturais. Agora vou provar pra vocês que isso não foi mera viagem minha.

Os caras do DigitalDubs, um sound system aqui do Rio, também tiveram o mesmo insight que eu! Tanto que gravaram um mixtape que mistura o batidão do Funk com o ritmo do Dancehall. Vou botar aqui pra quem quiser conferir, ficou bem interessante.




Baixe aqui!


terça-feira, 28 de outubro de 2008

Os sujos ou os mal lavados? Eis a questão.

Gabeira fascinou muitos (especialmente jovens e "intelectuais") com sua campanha dita "alternativa". Mas será que esse candidato é tão “alternativo” como se imaginava?

Vale lembrar que Gabeira foi secretário do César Maia, assim como Paes foi subprefeito. Então ambos participaram do governo anterior, e não seria uma surpresa que o novo governo fosse apenas uma continuação do outro.
Vale lembrar também que o Gabeira sempre se mostra envergonhado e arrependido de uma das únicas coisas que o fazem merecer o título de "alternativo", que foi o tal sequestro ao embaixador americano.

A classe média pode reclamar de forma individualizada, talvez o governo do Gabeira pudesse ter alguns detalhes diferentes do Paes. Mas convenhamos que a classe mais necessitada e carente de ações do Estado são os menos abastados e, olhando o planejamento de ambos os candidatos, não vejo diferença no tratamento que essa classe receberá.

Vou citar um exemplo que vemos nas duas campanhas. As tais políticas de “limpeza” do Centro e de outras áreas ditas abandonadas. No papel parece tudo muito lindo, vamos poder andar tranqüilos pelas calçadas sem vermos cenas de mendigagem e sem nos preocuparmos com furtos de “pivetes”. Mas porque nunca perguntam o destino que esses mendigos e pivetes terão? Conheço gente engajada no movimento de sem-tetos (meus pais, por exemplo) e tenho certeza que eles sabem realmente o drama que existe por traz dessas políticas de “higienização urbana”.


Apenas inventar soluções superficiais ou maquiar problemas mais profundos não é o que o Rio precisa pra mudar sua situação. Qualquer candidatinho consegue prometer que vai botar a poeira pra debaixo do tapete, mas essa poeira está se acumulando cada vez mais. E, sinceramente, não consigo ver um prefeito se propor a "aspirar" de vez toda essa sujeira.

Eu não consigo ter crença no processo eleitoral. Talvez boa parte dessas 927 mil abstinências sejam pessoas desacreditadas como eu. Pessoas que não conseguem pôr esperanças nessa democracia fajuta, onde sempre se elege um sujo em vez de um mal lavado



P.S:

Vocês podem rir, mas vista a situação atual, eu só ponho minhas esperanças numa revolução. Não necessariamente uma revolução nos moldes que os antigos comunistas sonham ("Viva camaradas, os proletários tomaram o poder!"), mas uma revolução no sentido literal da palavra.
Revolução é uma mudança completa e profunda, uma alteração das bases e estruturas políticas, econômicas e sociais que prevalecem. Acredito que só assim as coisas vão mudar pra valer.

Acredito numa revolução e não apenas em reformismos.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Coisas da interatividade.

Muitos estudiosos da comunicação criticam a falsa idéia de interatividade que os meios de comunicação de massa “vendem” para as pessoas. Mídia impressa, canais de TV, emissoras de rádios e grandes sites fazem questão de dizer que a opinião de seu público é importante, e acabam criando pequenos (e bota pequeno nisso) lugares para o leitor/espectador/ouvinte/internauta expressar-se.

Mas essa interatividade, mesmo que limitada, nos proporcionou duas situações cômicas e constrangedoras a pouco tempo.

Coincidência ou não, as duas situações aconteceram em programas esportivos, quando o apresentador lê mensagens enviadas pelo público. A primeira vítima foi o apresentador do programa Sport Center (ESPN Brasil) e o segundo, depois de alguns dias, foi o narrador da Globo, num jogo de futebol de salão. Confira e repare no nome dos participantes:

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Na hora da transmição os apresentadores não se tocaram, ou fingiram que não, mas com certeza proporcionaram bastantes gargalhadas de muita gente, ainda mais dos engraçadinhos (ou, de repente, do mesmo cara) que mandaram esses trotes à la Bart Simpson.

É... A interatividade com os meios de comunicação ainda pode ser restrita e limitada. Mas nos mostrou alguma serventia, pelo menos, humorística. Hoje em dia, o Oscar Alho, o Jacinto Pinto e o Timelo Aquino Rego encontram facilidades de interação que antigamente eram raríssimas na grande mídia.

sábado, 27 de setembro de 2008

Escute e relaxe... (e goze, se quiser)


Chill Out não é um gênero musical, é mais um estilo de fazer e escutar música. Desde os anos 90 até hoje, a maioria das grandes festas rave reservam um espaço para o Chill Out. Esse espaço é diferente do resto da festa, sem agitação, com uma calmaria ideal para recuperar as energias.

Outro rótulo que certas músicas recebem é o de Lounge Music, que na verdade são músicas propicias à ambientes como restaurante, bares, salas de espera e até aeroportos. Hoje em dia muitos proprietários dão grande atenção à trilha sonora de seus estabelecimentos, já que isso é fundamental para criar o “clima” do recinto.

Vou disponibilizar pra vocês uma mixtape (set totalmente mixado, non-stop) que se enquadra nessas duas ocasiões acima. A playlist tem uma levada bem sensual e vem recheada de Trip-Hop, Soul, Downtempo, Reggae, R&B, etc. Uma mistureba que deu certo.

Issac Hayes - Ike's Rap
Racionais Mc's - Jorge da Capadócia
Tricky - Hell Is Around The Corner
Justin Timberlake - Until The End Of Time
Ayo - Down On My Knees
Zero 7 - Destiny
Bob Marley - Stir It Up
Erykah Badu - Didn't Cha Know
702 - Finding My Way
Marvin Gaye - Let's Get It On
Isley Brothers - Between The Sheets
8mm - Nothing Left To Lose
Corinne Bailey Rae - Trouble Sleeping
Bonobo - Noctuary
50 Cent & Robin Thicke - Follow My Lead
Sunshine Anderson – Heard It All Before
Groove Armada – My Friend
Thievery Corporation - Warning Shots
Waiwan – Feelin Me Feelin You
Amy Winehouse – You Know I’m No Good
AWOL One - Rythm

Duração: 77 Min
Tamanho: 72 MB
Link 1: http://w17.easy-share.com/1701582176.html

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

RE: Mertiolate ou água-oxigenada ?

Numa postagem mais antiga com esse mesmo título declarei que "Não seria uma surpresa se, ao analisarmos as contas do governo, os gastos públicos em segurança forem o dobro dos gastos com educação, por exemplo". A confirmação dessa minha teoria veio numa reportagem da revista CartaCapital intitulada "Primeiro, segurança, o social vem depois". Botarei alguns trechos dessa matéria aqui.

“O governador Sérgio Cabral não tem nenhuma dúvida de que comanda uma guerra contra os traficantes do Rio de Janeiro. Ele tem agido assim. Com a ajuda do presidente Lula, montou um arsenal poderoso que está à disposição da polícia para sustentar o confronto.”

Nessa reportagem nós vemos um quadro com os gastos que o governo do RJ investiu em armamentos e equipamentos de segurança, em contraponto aos gastos com projetos sociais e obras que se referem à cidadania.

“Esse quadro tira as últimas dúvidas de que está consolidada a crença de que a segurança pública se faz primeiramente com o combate à violência. Depois, muito depois, haverá espaço para os projetos sociais. Isso, se a guerra for vencida. Mas, por enquanto, a cobra está fumando.”

E aí vem de novo aquela pergunta da postagem anterior: Pra que insistir em usar água oxigenada ou mertiolate se a solução mais sábia (e menos “ardida”) para tratar dessas feridas seria trocar de sapatos?

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Mulher-Melancia também gera reflexão!

Os críticos são sempre contundentes quando o assunto é “padrão de beleza”, e muitas críticas são feitas sobre a magreza excessiva que a sociedade considera ideal. Garotas jovens se influeciam por modelos célebres e magérrimas, e em certos casos desenvolvem distúrbios como bulimia e anorexia. E adivinha quem é sempre a maior vilã da história? Não, não é a Gisele Budchen, mas sim a mídia. Como sempre a mídia ocupa o lugar de grande entidade manipuladora, que faz lavagem cerebral nas pessoas pra vender o que bem entende.

Eis que de um tempo pra cá surge um novo fenômeno midiático, a famosa Mulher-Melancia. Apesar desse fenômeno ainda representar o culto ao corpo e à imagem – fato típico da nossa sociedade do espetáculo –, ela está longe desse “padrão magricela”. Mas Andressa – verdadeiro nome da persona – ainda é alvo de frequentes críticas. Além das reclamações sobre vulgaridade e futilidade, as mesmas pessoas que criticam o “padrão magricela” chamam Andressa de gorda e feia. (Contraditório, não?)

Sempre tive a impressão de que quanto mais popular o objeto, mais críticas negativas recebe. O próprio Samba - um de nossos símbolos nacionais - já passou por isso. Quanto mais “pop” mais “merda”. De fato, esse fenômeno frutífero de melancias, moranguinhos e jacas não é nada educador, conscientizador ou politizador, mas nós sabemos muito bem que o propósito da grande mídia (talvez infelizmente) não é esse. O grande propósito é o entreterimento. E é isso que as próprias pessoas têm buscado nos meios de comunicação.

A mídia para mim não é essa entidade toda poderosa que faz o que bem entende, na minha opinião ela está mais para uma caricatura da sociedade. Os meios de comunicação veiculam aquilo que as pessoas desejam consumir, existe uma demanda pra esses “lixos midiáticos” - como muitos consideram. A maioria das pessoas realmente querem ver a Mulher-Melancia na TV. Ou seja, paralelamente com uma mudança da mídia em sí, é necessário uma mudança nos desejos e expectativas das pessoas. Coisa que não é nada simples.

("Só mesmo com a revolução", diriam os marxistas)

quinta-feira, 19 de junho de 2008

O Funk é Rastafári!

Alguns funkeiros gostam de uma erva famosa entre os rastas, mas isso não tem nada a ver com essa minha postagem. Como DJ que sou, admiro a música jamaicana e o Funk carioca, e depois de algumas “revelações” cheguei a uma conclusão: o Funk tem um pézinho na Jamaica. Na verdade é um pezão, veja esses vídeos.

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Isso não lembra os bailes funk com sua "posição da rã", "créu" e afins? Pois é, só que o som que escutamos atrás não é o batidão carioca, e sim o Dancehall jamaicano. Com suas batidas nervosas e muitos efeitos eletrônicos, o Dancehall é filho do Reggae e pai do HipHop. Aquela calma de Bob Marley e The Wailers foi substituída pela agressividade de Yellowman e Shabba Ranks. Os jamaicanos foram os primeiros que botaram um disco pra rolar e começaram a rimar por cima das batidas. Um MC – na Jamaica chamado de toaster – cantava por cima de batidas dançantes tocadas por um DJ – na Jamaica chamado de selector. Posteriormente essa cultura foi “exportada” para os EUA, ajudando assim na concepção do HipHop.
Além desse “alto teor sexual” visto nos vídeos, o Funk compartilha várias outras características com o Dancehall. Outro tema muito presente nos dois estilos é a violência e até uma certa apologia a crimes. Enquanto no Funk carioca temos os proibidões e no HipHop americano os Gangsta Raps, na Jamaica existem os Rude Boys. A música dos Rude Boys é agressiva e se assemelha bastante com o estilo de Snoop Dogg e Mister Catra. Drogas e armas são temas corriqueiros.

Os bailes daqui e de lá também são parecidos, os DJs/selectors são encarregados de botar os discos pra rolarem e os MCs/toasters ficam com a responsabilidade de animar o público. Até as danças rebolativas são semelhantes, vendo vídeos de festas de Dancehall é fácil de comparar (e até se confundir) com bailes cariocas. Só que aqui no Rio predominam as equipes de som e na Jamaica os Sound System, que na verdade são como equipes de som mas normalmente todos os equipamentos e aparelhagem são ligados no meio da rua, em locais públicos. É uma verdadeira intervenção urbana.

O Funk e o Dancehall são estilos marginalizados e, tanto no Brasil como na Jamaica, podem servir como termômetro da realidade das periferias. Tanto aqui no Rio quanto lá em Kingston, os dois estilos recebem forte preconceito, sendo considerados de “baixo nível”, “música de vagabundo” etc. Sexo e violência explícitos são assuntos que a sociedade normalmente prefere abafar.P.S: Não são pura coincidência essas semelhanças. O Funk se originou do Miami Bass, que é um estilo que fez sucesso no Brasil no início da década de 90. O Miami Bass é uma vertente mais acelerada e latina do HipHop, foram imigrantes caribenhos que cultivaram esse estilo nos EUA. Vale lembrar que a Jamaica é uma ilha do mar do Caribe, ou seja, parte da herança genética do batidão carioca chega lá da terra do Bob Marley.

Mertiolate ou água-oxigenada ?

Imagine que você chega em casa sempre com os calcanhares feridos por causa do sapato apertado que usa durante o dia. Chegando ao conforto do seu lar, você vai tratar o machucado e precisa escolher se vai usar mertiolate, água oxigenada ou qualquer outro desses produtos, certo? Mas será que você nunca pensou em trocar de sapatos?

Em meios a várias discussões, uma questão ficou em evidência quando três garotos foram assassinados depois de serem entregues a uma facção rival por soldados do exército: Será que o exército está preparado para cuidar da segurança pública no Rio de Janeiro?

Uma classe média amedrontada pressiona as autoridades a tomarem alguma medida para reverter a situação da violência no Rio. Tentando mostrar serviço, essas autoridades ficam se perguntando quem será mais capaz de manter os bandidos "na rédea". PM, Bope, Exército, Força Nacional de Segurança e até as milícias foram postas como opção. Isso pra mim é igual a escolher se vai usar mertiolate ou água-oxigenada para tratar das feridas que fez ao usar um sapato apertado, mas quando tinha a opção de trocá-lo por um sapato mais confortável.

Qualquer pessoa com um pensamento mais perspicaz e uma visão mais crítica sabe que a repressão em regiões carentes é dura e agressiva faz tempo, mas mesmo assim não vemos avanços relacionados à criminalidade. As autoridades fingem não ver que essa não é a solução mais eficaz e, mesmo sabendo que isso não vai reverter a situação, ainda fazem com que a opinião pública fique a favor do aumento de policiamento e coisas do tipo, declarando uma guerra contra os pobres.
Não seria uma surpresa se, ao analisarmos as contas do governo, os gastos públicos em segurança forem o dobro dos gastos com educação, por exemplo. Isso nos mostra como a nossa sociedade está doente, e ainda por cima utilizando os medicamentos errados. Não vai ser a repressão que vai fazer o garoto de 15 anos deixar de largar a escola e entrar para o tráfico, não vai ser o “Capitão Nascimento” que vai fazer com que os jovens desistam da vida do crime. As soluções são outras, mas as autoridades parecem não se interessarem nisso. As políticas de segurança do Rio se preocupam mais em punir do que em evitar os crimes.

Uma pessoa pode insistir em usar um sapato apertado, mas sabe que terá que passar o resto da vida tendo que escolher se vai usar o mertiolate ou a água-oxigenada para tratar das feridas. A escolha mais correta e inteligente (e menos "ardida") seria trocar de sapatos, curando assim a causa do problema.

terça-feira, 17 de junho de 2008

"Por traz de cada tatuagem há uma história"


O canal People & Arts traz a sua programação recheada de reality shows, e dia 17 de junho mais uma série vai ser incluída nesse vasto cardápio. Trata-se do LA Ink. Assim como o seu “irmão mais velho” Miami Ink, esse reality vai retratar o dia-a-dia de um estúdio de tatuagem, mas dessa vez localizado em Los Angeles.



No final da temporada de Miami Ink, o rabugento Ami James se desentendeu seriamente com a novata, porém talentosa, Kat Von D. Antes da briga a tatuadora já não se sentia confortável em Miami, tudo isso fez com que ela voltasse à sua terra natal e se juntasse a uma nova equipe para estrelar o seu próprio show, no seu próprio estúdio.

Não são só os amantes da arte cutânea que vão se interessar pela série. LA Ink deve reunir todos os elementos encontrados em reality shows: drama, humor, tensão etc. Nos mesmos moldes de seu antecessor, a série vai explorar o lado emotivo das tatuagens. Cada novo cliente conta a motivação e a história que existe por traz da tatuagem desejada – é óbvio que existe uma seleção prévia das melhores histórias –, e os tatuadores funcionam como uma espécie de psicanalista, analisando e opinando sobre tais histórias.

Tomara que o excesso de tragédias pessoais e sentimentalismo não sejam iguais ao que encontramos em Miami Ink, pois isso torna os episódios cansativos em alguns momentos. Na série anterior o apelo dramático era muito grande, poucas vezes apareciam tatuagens bem-humoradas e “exóticas”, como foi o caso onde uma senhora eternizou em sua pele o retrato de um sanduíche onde se via uma mancha de manteiga que lembrava uma imagem de Santa Maria.
Mas não é só ao redor dos clientes que o programa deve se desenrolar. Assim como no estúdio de Miami onde cada tatuador tinha sua própria personalidade e agia de diferentes maneiras a cada situação, a equipe de Kat vai vir com novos protagonistas prontos para fazerem o estúdio recém-nascido decolar na cena de Los Angeles.

Nós já vimos que não é só de metaleiros e motoqueiros que se faz um estúdio de tatuagem em Miami, e agora é a hora de vermos se na terra de Hollywood as coisas também são por aí. Mas independente das cidades, esses dois programas são boas opções dentro dos realities da TV paga, pois trazem uma temática interessante que é a arte milenar de se tatuar.

domingo, 1 de junho de 2008

O programa "carioca" da MTV: 15 Minutos.

Pulando de canal em canal com o controle remoto damos de cara com um novo programa da MTV chamado 15 Minutos. Dois rapazes – Marcelo Adnet e o mascarado Quiabo – estão sendo filmados num quarto no bairro carioca do Humaitá, falando sobre besteira alheia, lendo e respondendo emails, tocando violão, fazendo imitações etc. O programa parece meio bagunçado, e é mesmo – no bom sentido. A espontaneidade e o humor escrachado da dupla logo nos chamam atenção.

A produção da MTV procurou Marcelo Adnet depois de ver alguns de seus vídeos caseiros postados na internet e se interessaram pelo seu carisma e talento cômico. Um dos maiores diferencias do 15 Minutos para os outros programas da MTV é o fato de ser “essencialmente carioca”, o sotaque do Rio toma o lugar daquele estereótipo de VJs paulistas. Ou seja, é um programa carioca dentro de uma emissora paulistana. Isso também fica evidente no “estilo carioca” de humor, jovens do Rio se identificarão com as palhaçadas e brincadeiras de Marcelo e Quiabo, desde paródias com hinos de clubes de futebol até deboches sobre paulistas e mineiros.

Parte do programa é conduzida pelos emails enviados por telespectadores, cada email incentiva um novo assunto. Isso faz com que a espontaneidade e a interatividade sejam pontos fortes desse bem humorado programa. Marcelo Adnet é realmente talentoso, ele faz imitações engraçadíssimas, transforma temas bobos e cotidianos em motivo de chacota, e tudo com um ar de naturalidade impressionante. Essas características nos remetem aos milhares de vídeos caseiros feitos por grupos de amigos e compartilhados no site youtube e seus similares, o 15 Minutos realmente parece uma brincadeira relaxada e corriqueira entre dois amigos.
A interatividade vai além da leitura de emails no ar, Quiabo e Marcelo estão sempre interagindo com o público pelo blog do programa e pelo Orkut, eles afirmam responder todos os recados sempre. Apesar de alguns fãs pedirem mais do que 15 minutos na programação, a duração é adequada ao estilo desse programa que, como escreveu um telespectador, salvou a MTV (pelo menos para o público do Rio de Janeiro).

DVD do filme "Eu Sou A Lenda" traz final alternativo.



Nesse mês de maio foi lançado o DVD duplo do filme “Eu Sou A Lenda”, que tem como protagonistas Will Smith e a brasileira Alice Braga. O filme, que é a terceira adaptação cinematográfica de um livro homônimo escrito por Richard Matheson, foi dirigido por Francis Lawrence (Constantine) e teve uma grande promoção pelo Brasil na época de seu lançamento.



Um vírus mutante se espalhou por Nova York, dizimando parte da população e transformando a outra em zumbis sensíveis à luz do sol. Com essa praga a ilha de Manhattan foi evacuada, mas Robert Neville – um virologista militar que tem imunidade ao vírus – continuou no “Ground Zero” tentando desenvolver um antídoto com seu próprio sangue e procurando por outros sobreviventes. Há três anos Neville deixa mensagens pelas ondas de rádio e faz incursões pela cidade ao lado de sua companheira canina, e sempre sendo atormentado pelos “caçadores das trevas”, que já não apresentam muitos traços de humanidade.

Apesar de boa parte do filme ser quase um “monólogo” e dessa temática de zumbis mutantes ser exaustivamente explorada, a atenção do público fica presa com o carisma de Will Smith e, principalmente, com o cenário de uma Nova York abandonada e desabitada – os efeitos da solidão do protagonista não são tão explorados, mas dá pra sentir o drama que seria viver completamente sozinho, e ainda por cima com criaturas querendo te devorar.

O DVD vem com dois discos, apresenta extras interessantes além de um final alternativo. A produtora do filme foi inteligente ao criar um outro desfecho, já que o final “oficial” não tem um estilo que agrade todo o público – e de fato, não agradou. Diferente de outros filmes onde o mundo se encontra num caos profundo, como “Filhos da Esperança” e o cultuado “Laranja Mecânica”, a trama não explora uma visão crítica dos rumos que o planeta vem tomando. Mas podemos espremer alguma “moral da história” nesse tal desfecho alternativo.

O entreterimento do filme, as imagens de uma metrópole abandonada, o drama do “último” ser humano e algumas dúzias de zumbis medonhos são bons motivos para o aluguel ou à compra desse DVD lançado pela Warner.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Desnaturalizando nossos valores.

Em maio de 2006 viajei à Cuba e conheci um pouco das peculiaridades daquela ilha. Uma das muitas coisas que me chamou atenção foi a questão que contradiz a livre iniciativa comercial, uma questão bem polêmica entre os cubanos. Para abrir qualquer estabelecimento comercial sua proposta deve antes passar por uma burocracia estatal onde é analisada a necessidade de tal estabelecimento junto à comunidade, entre outros assuntos políticos e econômicos. Ou seja, para conseguir autorização para desempanhar alguma atividade econômica como autônomo você precisa de uma licença dada pelo Estado, que muitas vezes veta a proposta. Pensando nisso eu tive certa indagação: “Pô, mas e se meu sonho fosse ter um restaurante de comida tailandesa, por exemplo? Mesmo sem ser essencial pros outros é o meu sonho, e eu tenho direito de realizá-lo!”. No meu pensamento prevaleceu o individual ao coletivo, não vou entrar numa discussão política sobre esses assuntos, mas foi a partir daí que eu comecei a ter uma reflexão sobre o que é certo e o que é errado, e sobre a construção de valores das pessoas.

Essa idéia de sonho e de direitos é relativamente nova na história da humanidade, assim como a livre iniciativa, o individualismo e muitos outros conceitos naturalizados nos dias de hoje. Pra entender a formação desses valores é preciso viajar no tempo e ver as diversas transformações pelo que o pensamento humano já passou. Foi só a partir de uns três séculos para cá que o pensamento moderno veio se formando no mundo ocidental, o que é um processo muito recente em termos de História. Foi na Idade Moderna que o nosso modo de vida foi criado e consolidado, dou ênfase no termo “criado” pois muita gente tem a impressão que toda essa ideologia de hoje é uma coisa inata à natureza humana, que a nossa mentalidade sempre foi a mesma. Mas isso está longe de ser verdade, a mentalidade do homem já foi muito diferente.

As constituições nacionais e os direitos que estamos tão acostumados, por exemplo, eram totalmente diferentes na Idade Média. Todas as regras partiam da religião, era a Igreja que ditava as leis e os valores a serem seguidos. Mobilidade social e liberdade de escolha eram algumas das coisas que simplesmente não passavam pela cabeça das pessoas naquela época (de modo generalizado, claro). A monarquia era amplamente aceita, as pessoas realmente acreditavam que o rei era um enviado de Deus para governar, além de outras crenças. Só com o enfraquecimento da igreja que outras instituições ascenderam como os “criadores da verdade”. Foi aí que entrou em cena a ciência, a utilização da razão em contradição aos dogmas da Igreja. E, posteriormente, com a explosão da revolução industrial, todos os valores da humanidade foram radicalmente transformados. Podemos dizer que nesse momento a burguesia se tornou a classe dominante e conseqüentemente tomou esse lugar de poder que antes já tinha pertencido à Igreja. A Idade Moderna era oficialmente inaugurada.
É bom lembrar também que nem sempre o passar do tempo é visto como uma evolução linear. Por exemplo, muita gente considera a queda do Império Romano como um retrocesso para a humanidade, pois consideram a Idade Média atrasada em relação a alguns aspectos da História Antiga.

O que eu quis mostrar com essa rápida passagem histórica foi: como as leis, a moral, a ética e todos nossos conceitos são criados e transformados a partir de um contexto, e não são da natureza humana. A liberdade econômica, a liberdade de escolher com quem vai se casar, de escolher a profissão que vai seguir, esses não são valores inatos ao ser humano, são valores construídos. Não estou aqui pra julgar qual visão de mundo é melhor ou pior, só estou querendo mostrar a importância de desnaturalizar as ideologias vigentes. Ou seja, toda a mentalidade humana é mutável, o pensamento das pessoas funciona de acordo com o contexto vivido, se o contexto muda os pensamentos também mudarão.

Voltando ao meu caso em Cuba: Eu pensei como a maioria das pessoas ocidentais do século XX, meu comentário foi totalmente viável e aceitável na sociedade onde a gente vive, o que eu não percebí é que podem existir outras verdades além daquelas que nós estamos acostumados. Essas idéias são consolidadas e amplamente aceitas nos dias de hoje, mas isso não quer dizer que seja a única maneira a se seguir. Não é bom tomarmos o estilo de vida ocidental como o mais correto e perfeito, cada diferente sociedade tem seus valores e crenças em seus devidos momentos. Por isso que é tão difícil aceitar o diferente e o novo, nós tendemos a tomar nossa verdade como universal e única.

Talvez com algumas mudanças o nosso pensamento possa ser reformulado, e possamos passar a crer em coisas que antes eram impossíveis de se acreditar. Seria essencial um esforço para desnaturalizar nossos valores e nossas crenças, pois só assim conseguiremos entender melhor o complicado mundo que a gente vive.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Meu otimismo sobre a nova era da Comunicação.

As linguagens e sua relação com as mídias passam basicamente por quatro grandes eras. Primeiramente foi a da oralidade, onde a comunicação era mediada pela expressão corporal, as informações eram transmitidas através da palavra falada. Em seguida a essa palavra falada surgiu a palavra escrita e posteriormente os avanços em termos de prensa gráfica; muitos dizem que a prensa gráfica de Gutemberg (por volta do ano de 1450) foi a invenção mais importante do milênio, pois através da maior circulação dessa palavra escrita muito do contexto mundial foi mudado. Essa linguagem impressa foi um dos fatores que contribuíram para o mundo ocidental entrar na idade moderna.
Diferente da oralidade, os impressos têm um alcance de circulação otimizado e de certa maneira mais impactante. Enquanto pela oralidade as informações passavam pelo boa-à-boca, com os impressos a proliferação de idéias ganhava mais objetividade e potencialidade. Durante séculos a sociedade esteve submetida a um processo comunicacional calcado na palavra escrita. Um modo simplificado de enxergar como a cultura impressa tem maior capacidade de impacto é analisando a distribuição de religiões pelo globo. As religiões ditas universais (como o islamismo, cristianismo e judaísmo, por exemplo) se baseiam e dependem de textos, enquanto algumas religiões mais locais (como indígenas e tribais) mantêm suas tradições no âmbito oral.

Depois de muito tempo com a palavra sendo o ponto central da linguagem, uma revolução é iniciada. Trata-se do avanço da imagem. De uns duzentos anos pra cá a fotografia, depois o cinema e depois a televisão vieram dando novos parâmetros à comunicação social. A imagem eletrônica tirou a hegemonia da cultura escrita e criou essa nova era imagética, a imagem se tornou componente indispensável na vida das pessoas. O poder de fotos e de filmes talvez seja tão sedutor devido à necessidade de uma representação, de um “prova” daquilo que é o assunto tratado. As imagens sempre foram atreladas a uma idéia de realidade. “Uma imagem fala mais do que mil palavras”.

Nos dias de hoje nós estamos entrando na quarta era, que seria a era da multimídia. Esse paradoxo palavra/imagem vem sendo remodelado com a ascensão das linguagens digitais. Esse processo ainda está acontecendo e nós o vivemos “ao vivo”, é um fenômeno muito recente mas que já gera conseqüências visíveis. Conseqüências que a meu ver podem ser benéficas ao processo da comunicação social e é sobre isso que vou discutir aqui, especialmente a partir da ascensão da internet e do ciberespaço.

As mídias mais clássicas se baseiam num sistema de broadcasting, que seria um sistema tradicional de comunicação onde um emissor transmite para diversos receptores, o que normalmente tende mais à passividade de tais receptores. Muito foi estudado e viram que as pessoas não são tão passivas quanto se parece, apesar de espectadores o público consegue de certa forma “digerir” a mensagem transmitida conforme suas experiências, formação, vivências, etc (senso crítico). Mas é inegável a diferença entre os recursos que as mídias clássicas e as mídias digitais oferecem para aumentar a interatividade e capacidade de resposta desse público, que nem podemos mais chamar apenas de receptores. O poder de resposta que o público tem em relação à televisão ou ao rádio é bem inferior ao poder de resposta que você vai ter ao ler o meu Blog por exemplo.

Focalizando no advento da internet nós enxergamos quão mudada está essa relação emissor/receptor. As transmições já não acontecem exclusivamente num sentido único, cada nó dentro da rede do ciberespaço pode ser tanto transmissor como captador. Não vou ser ingênuo e dizer que agora acabou o monopólio da informação e que a plena democratização dos meios de comunicação está concluída, longe disso, mas o fato da estrutura existir já é um grande avanço nesse aspecto. O acesso ao ciberespaço e a “alfabetização digital” ainda têm grandes caminhos a serem percorridos, paralelamente com isso ainda existe uma imensa desigualdade em relação aos grandes “proprietários da informação” e aos menores, mas volto a dizer, a estrutura dessa rede já existe e o que falta são mudanças conjunturais, sócio-econômicas, etc. A estrutura do ciberespaço tende a uma maior universalização e menor totalização, ou seja, uma maior potencialidade à circulação e alcance e uma menor capacidade de controle e estagnação de informações.

Além da interatividade, a capacidade de se tornar emissor de idéias é muito mais concreta no sistema digital do que no broadcasting. É uma questão óbvia, dificilmente qualquer pessoa consegue lugar de fala numa mídia mais clássica, enquanto que no ciberespaço é muito mais fácil de conseguir (porém isso não implica que essa voz será ouvida por muitos). Normalmente as informações que não são viáveis na grande mídia podem ser viáveis dentro da rede digital. Um exemplo famoso e pioneiro na exploração desse novo espaço é o movimento do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), que se trata de um grupo revolucionário baseado no estado de Chiapas, México. Utilizando de tecnologias modernas o EZLN ganhou projeção e apoio mundial, foi um movimento pós guerra-fria que se diferenciou de outros grupos militantes pelas suas teorias e práxis. Obviamente a grande mídia mexicana e mundial não demonstrou interesse em ceder lugar de voz aos guerrilheiros e uma das novidades que o EZLN implementou na sua luta foi a intensa utilização da internet como instrumento de mobilização social. Em suma, muitos ideais de contra-cultura não são viáveis na grande mídia por questões ideológicas dos proprietários desse sistema, então a mídia digital seria um dos recursos a disposição desses ideais.

Isso nos mostra a potencialidade que a rede digital tem em termos de verdadeira democracia na comunicação social. Na minha opinião a situação está longe de padrões utópicos, mas é um espaço muito novo (pouco mais de 10 anos) e que já apresenta suas especificidades e diferenças em relação aos sistemas mais tradicionais que estamos acostumados. Será que tamanho otimismo é exagero ?

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Sugestão de filme: Filhos da esperança

Com certeza esse foi o melhor filme que eu vi em 2007 (apesar de ser uma produção de 2006). Mas eu escuto falar muito pouco por aí sobre essa ficção científica com bons toques de drama e ação, acho que não recebeu toda a atenção que merecia. O filme, dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón, me agrada em todos os aspectos, não deixa a desejar no roteiro, na fotografia e nem na ação.


A história se passa na Inglaterra do ano 2027, o planeta se encontra caminhando para o fim da humanidade, faz 18 anos que as mulheres estão inférteis, faz 18 anos que nenhuma criança nasce. No início do filme vemos a notícia que a pessoa mais nova do mundo (um rapaz de 18 anos) é assassinado, e isso faz com que a triste lembrança da infertilidade volte a latejar na mente das pessoas. O planeta está mergulhado no caos e na falta de perspectivas, o governo distribui kits de suicídio e os conflitos com imigrantes estão cada vez mais graves. Além disso e do agravamento de muitos problemas sociais, o mundo não é muito diferente do que conhecemos hoje, as tecnologias super-avançadas presentes nas ficções futuristas não são presentes nessa produção, o que nos faz acreditar que daqui a 20 anos o mundo possa ser bem parecido com aquele retratado no filme.

Theo (Clive Owen) é um ex-ativista frustrado e inerte que é subitamente procurado pelos “Peixes”, que são um grupo militante que lutam pela causa dos imigrantes refugiados. Ele recebe a missão de levar uma imigrante até o “Projeto Humano”, que é uma organização clandestina e meio secreta que faz estudos sobre a infertilidade. O que Theo descobre depois é que essa jovem refugiada está grávida, ou seja, esse bebê seria o símbolo de uma nova esperança para o planeta Terra. Porém os “Peixes” pretendem usar o bebê como bandeira para a sua luta, reforçando o fato de que a nova esperança mundial vem do ventre de uma imigrante considerada ilegal e oprimida pelo Estado inglês. A mãe da criança não concorda com uma utilização política para o seu filho, então acaba fugindo com Theo e tentam chegar ao “Projeto Humano” por conta própria.
O filme é repleto de ação, reviravoltas e detalhes inteligentíssimos, eu sou capaz de ver o filme diversas vezes e cada vez notar alguma nova mensagem que o diretor quis nos passar, seja sobre preconceito, totalitarismo, falta de tolerância, etc.

Outro fato interessante são os recursos técnicos utilizados, principalmente, na fotografia do filme. Algumas seqüências chegam a ter 10 minutos de continuidade sem corte aparente, e tudo isso com uma câmera de mão ágil e móvel. Fico imaginando a dificuldade de filmar isso, por que não são cenas fáceis, são cenas cheias de ação onde a equipe precisa estar muito entrosada e ensaiada. Vendo o Making Of do filme nós temos uma noção de quanto planejamento foi preciso para realizar estas cenas.
Uma destas seqüências é dentro de um carro, o que dificulta muito por causa do espaço fechado e apertado. A solução encontrada para fazer a tomada sem cortes foi uma complexa instalação de uma câmera que entra por cima do teto do veículo e é capaz de fazer imagens em 360 graus dos 5 personagens que estão dentro do carro além da ação que acontece fora dele. Só achei esta cena no youtube com dublagem em alemão: http://br.youtube.com/watch?v=pJ0iOWhOItE.

Outra cena extraordinária é feita em meio à rebelião que acontece dentro de um campo de refugiados, o tiro está comendo solto e a seqüência é feita toda numa tomada só. Uma única câmera de mão acompanha Theo fugindo das balas e a tela fica toda respingada de sangue. Essa técnica traz muita emoção e tensão ao filme, dá aquela sensação que é uma câmera digital carregada por alguém que realmente participou dos fatos retratados no filme.

Esse filme, que é inspirado num romance chamado Children Of Men (nome original do filme em inglês), é um dos meus preferidos tanto pela temática como pela estética utilizada. Um fator pessoal que me fez ficar interessado no filme é que em junho de 2007 eu fui para Alemanha acompanhar os protestos contra o encontro do G8 em Rostock, e aprendi um pouco sobre a realidade que os imigrantes enfrentam nos campos de refugiados. Boa parte dos movimentos sociais europeus é encabeçada pela causa dos imigrantes do terceiro mundo, e gostei de ver essa temática ser tão enfatizada nesse filme.
Vou fechar a postagem com uma frase que aparece num programa de rádio que as personagens escutam num momento do filme, o radialista diz: “Agora vamos tocar uma música de 2003, quando as pessoas se recusavam a aceitar que o futuro estava a um passo”. Filhos da esperança pode servir como um alerta ao caminho que o planeta vem tomando, talvez daqui a pouco seja tarde demais e todas as expectativas de um mundo melhor podem se esgotar.