quinta-feira, 19 de junho de 2008

O Funk é Rastafári!

Alguns funkeiros gostam de uma erva famosa entre os rastas, mas isso não tem nada a ver com essa minha postagem. Como DJ que sou, admiro a música jamaicana e o Funk carioca, e depois de algumas “revelações” cheguei a uma conclusão: o Funk tem um pézinho na Jamaica. Na verdade é um pezão, veja esses vídeos.

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Isso não lembra os bailes funk com sua "posição da rã", "créu" e afins? Pois é, só que o som que escutamos atrás não é o batidão carioca, e sim o Dancehall jamaicano. Com suas batidas nervosas e muitos efeitos eletrônicos, o Dancehall é filho do Reggae e pai do HipHop. Aquela calma de Bob Marley e The Wailers foi substituída pela agressividade de Yellowman e Shabba Ranks. Os jamaicanos foram os primeiros que botaram um disco pra rolar e começaram a rimar por cima das batidas. Um MC – na Jamaica chamado de toaster – cantava por cima de batidas dançantes tocadas por um DJ – na Jamaica chamado de selector. Posteriormente essa cultura foi “exportada” para os EUA, ajudando assim na concepção do HipHop.
Além desse “alto teor sexual” visto nos vídeos, o Funk compartilha várias outras características com o Dancehall. Outro tema muito presente nos dois estilos é a violência e até uma certa apologia a crimes. Enquanto no Funk carioca temos os proibidões e no HipHop americano os Gangsta Raps, na Jamaica existem os Rude Boys. A música dos Rude Boys é agressiva e se assemelha bastante com o estilo de Snoop Dogg e Mister Catra. Drogas e armas são temas corriqueiros.

Os bailes daqui e de lá também são parecidos, os DJs/selectors são encarregados de botar os discos pra rolarem e os MCs/toasters ficam com a responsabilidade de animar o público. Até as danças rebolativas são semelhantes, vendo vídeos de festas de Dancehall é fácil de comparar (e até se confundir) com bailes cariocas. Só que aqui no Rio predominam as equipes de som e na Jamaica os Sound System, que na verdade são como equipes de som mas normalmente todos os equipamentos e aparelhagem são ligados no meio da rua, em locais públicos. É uma verdadeira intervenção urbana.

O Funk e o Dancehall são estilos marginalizados e, tanto no Brasil como na Jamaica, podem servir como termômetro da realidade das periferias. Tanto aqui no Rio quanto lá em Kingston, os dois estilos recebem forte preconceito, sendo considerados de “baixo nível”, “música de vagabundo” etc. Sexo e violência explícitos são assuntos que a sociedade normalmente prefere abafar.P.S: Não são pura coincidência essas semelhanças. O Funk se originou do Miami Bass, que é um estilo que fez sucesso no Brasil no início da década de 90. O Miami Bass é uma vertente mais acelerada e latina do HipHop, foram imigrantes caribenhos que cultivaram esse estilo nos EUA. Vale lembrar que a Jamaica é uma ilha do mar do Caribe, ou seja, parte da herança genética do batidão carioca chega lá da terra do Bob Marley.

Mertiolate ou água-oxigenada ?

Imagine que você chega em casa sempre com os calcanhares feridos por causa do sapato apertado que usa durante o dia. Chegando ao conforto do seu lar, você vai tratar o machucado e precisa escolher se vai usar mertiolate, água oxigenada ou qualquer outro desses produtos, certo? Mas será que você nunca pensou em trocar de sapatos?

Em meios a várias discussões, uma questão ficou em evidência quando três garotos foram assassinados depois de serem entregues a uma facção rival por soldados do exército: Será que o exército está preparado para cuidar da segurança pública no Rio de Janeiro?

Uma classe média amedrontada pressiona as autoridades a tomarem alguma medida para reverter a situação da violência no Rio. Tentando mostrar serviço, essas autoridades ficam se perguntando quem será mais capaz de manter os bandidos "na rédea". PM, Bope, Exército, Força Nacional de Segurança e até as milícias foram postas como opção. Isso pra mim é igual a escolher se vai usar mertiolate ou água-oxigenada para tratar das feridas que fez ao usar um sapato apertado, mas quando tinha a opção de trocá-lo por um sapato mais confortável.

Qualquer pessoa com um pensamento mais perspicaz e uma visão mais crítica sabe que a repressão em regiões carentes é dura e agressiva faz tempo, mas mesmo assim não vemos avanços relacionados à criminalidade. As autoridades fingem não ver que essa não é a solução mais eficaz e, mesmo sabendo que isso não vai reverter a situação, ainda fazem com que a opinião pública fique a favor do aumento de policiamento e coisas do tipo, declarando uma guerra contra os pobres.
Não seria uma surpresa se, ao analisarmos as contas do governo, os gastos públicos em segurança forem o dobro dos gastos com educação, por exemplo. Isso nos mostra como a nossa sociedade está doente, e ainda por cima utilizando os medicamentos errados. Não vai ser a repressão que vai fazer o garoto de 15 anos deixar de largar a escola e entrar para o tráfico, não vai ser o “Capitão Nascimento” que vai fazer com que os jovens desistam da vida do crime. As soluções são outras, mas as autoridades parecem não se interessarem nisso. As políticas de segurança do Rio se preocupam mais em punir do que em evitar os crimes.

Uma pessoa pode insistir em usar um sapato apertado, mas sabe que terá que passar o resto da vida tendo que escolher se vai usar o mertiolate ou a água-oxigenada para tratar das feridas. A escolha mais correta e inteligente (e menos "ardida") seria trocar de sapatos, curando assim a causa do problema.

terça-feira, 17 de junho de 2008

"Por traz de cada tatuagem há uma história"


O canal People & Arts traz a sua programação recheada de reality shows, e dia 17 de junho mais uma série vai ser incluída nesse vasto cardápio. Trata-se do LA Ink. Assim como o seu “irmão mais velho” Miami Ink, esse reality vai retratar o dia-a-dia de um estúdio de tatuagem, mas dessa vez localizado em Los Angeles.



No final da temporada de Miami Ink, o rabugento Ami James se desentendeu seriamente com a novata, porém talentosa, Kat Von D. Antes da briga a tatuadora já não se sentia confortável em Miami, tudo isso fez com que ela voltasse à sua terra natal e se juntasse a uma nova equipe para estrelar o seu próprio show, no seu próprio estúdio.

Não são só os amantes da arte cutânea que vão se interessar pela série. LA Ink deve reunir todos os elementos encontrados em reality shows: drama, humor, tensão etc. Nos mesmos moldes de seu antecessor, a série vai explorar o lado emotivo das tatuagens. Cada novo cliente conta a motivação e a história que existe por traz da tatuagem desejada – é óbvio que existe uma seleção prévia das melhores histórias –, e os tatuadores funcionam como uma espécie de psicanalista, analisando e opinando sobre tais histórias.

Tomara que o excesso de tragédias pessoais e sentimentalismo não sejam iguais ao que encontramos em Miami Ink, pois isso torna os episódios cansativos em alguns momentos. Na série anterior o apelo dramático era muito grande, poucas vezes apareciam tatuagens bem-humoradas e “exóticas”, como foi o caso onde uma senhora eternizou em sua pele o retrato de um sanduíche onde se via uma mancha de manteiga que lembrava uma imagem de Santa Maria.
Mas não é só ao redor dos clientes que o programa deve se desenrolar. Assim como no estúdio de Miami onde cada tatuador tinha sua própria personalidade e agia de diferentes maneiras a cada situação, a equipe de Kat vai vir com novos protagonistas prontos para fazerem o estúdio recém-nascido decolar na cena de Los Angeles.

Nós já vimos que não é só de metaleiros e motoqueiros que se faz um estúdio de tatuagem em Miami, e agora é a hora de vermos se na terra de Hollywood as coisas também são por aí. Mas independente das cidades, esses dois programas são boas opções dentro dos realities da TV paga, pois trazem uma temática interessante que é a arte milenar de se tatuar.

domingo, 1 de junho de 2008

O programa "carioca" da MTV: 15 Minutos.

Pulando de canal em canal com o controle remoto damos de cara com um novo programa da MTV chamado 15 Minutos. Dois rapazes – Marcelo Adnet e o mascarado Quiabo – estão sendo filmados num quarto no bairro carioca do Humaitá, falando sobre besteira alheia, lendo e respondendo emails, tocando violão, fazendo imitações etc. O programa parece meio bagunçado, e é mesmo – no bom sentido. A espontaneidade e o humor escrachado da dupla logo nos chamam atenção.

A produção da MTV procurou Marcelo Adnet depois de ver alguns de seus vídeos caseiros postados na internet e se interessaram pelo seu carisma e talento cômico. Um dos maiores diferencias do 15 Minutos para os outros programas da MTV é o fato de ser “essencialmente carioca”, o sotaque do Rio toma o lugar daquele estereótipo de VJs paulistas. Ou seja, é um programa carioca dentro de uma emissora paulistana. Isso também fica evidente no “estilo carioca” de humor, jovens do Rio se identificarão com as palhaçadas e brincadeiras de Marcelo e Quiabo, desde paródias com hinos de clubes de futebol até deboches sobre paulistas e mineiros.

Parte do programa é conduzida pelos emails enviados por telespectadores, cada email incentiva um novo assunto. Isso faz com que a espontaneidade e a interatividade sejam pontos fortes desse bem humorado programa. Marcelo Adnet é realmente talentoso, ele faz imitações engraçadíssimas, transforma temas bobos e cotidianos em motivo de chacota, e tudo com um ar de naturalidade impressionante. Essas características nos remetem aos milhares de vídeos caseiros feitos por grupos de amigos e compartilhados no site youtube e seus similares, o 15 Minutos realmente parece uma brincadeira relaxada e corriqueira entre dois amigos.
A interatividade vai além da leitura de emails no ar, Quiabo e Marcelo estão sempre interagindo com o público pelo blog do programa e pelo Orkut, eles afirmam responder todos os recados sempre. Apesar de alguns fãs pedirem mais do que 15 minutos na programação, a duração é adequada ao estilo desse programa que, como escreveu um telespectador, salvou a MTV (pelo menos para o público do Rio de Janeiro).

DVD do filme "Eu Sou A Lenda" traz final alternativo.



Nesse mês de maio foi lançado o DVD duplo do filme “Eu Sou A Lenda”, que tem como protagonistas Will Smith e a brasileira Alice Braga. O filme, que é a terceira adaptação cinematográfica de um livro homônimo escrito por Richard Matheson, foi dirigido por Francis Lawrence (Constantine) e teve uma grande promoção pelo Brasil na época de seu lançamento.



Um vírus mutante se espalhou por Nova York, dizimando parte da população e transformando a outra em zumbis sensíveis à luz do sol. Com essa praga a ilha de Manhattan foi evacuada, mas Robert Neville – um virologista militar que tem imunidade ao vírus – continuou no “Ground Zero” tentando desenvolver um antídoto com seu próprio sangue e procurando por outros sobreviventes. Há três anos Neville deixa mensagens pelas ondas de rádio e faz incursões pela cidade ao lado de sua companheira canina, e sempre sendo atormentado pelos “caçadores das trevas”, que já não apresentam muitos traços de humanidade.

Apesar de boa parte do filme ser quase um “monólogo” e dessa temática de zumbis mutantes ser exaustivamente explorada, a atenção do público fica presa com o carisma de Will Smith e, principalmente, com o cenário de uma Nova York abandonada e desabitada – os efeitos da solidão do protagonista não são tão explorados, mas dá pra sentir o drama que seria viver completamente sozinho, e ainda por cima com criaturas querendo te devorar.

O DVD vem com dois discos, apresenta extras interessantes além de um final alternativo. A produtora do filme foi inteligente ao criar um outro desfecho, já que o final “oficial” não tem um estilo que agrade todo o público – e de fato, não agradou. Diferente de outros filmes onde o mundo se encontra num caos profundo, como “Filhos da Esperança” e o cultuado “Laranja Mecânica”, a trama não explora uma visão crítica dos rumos que o planeta vem tomando. Mas podemos espremer alguma “moral da história” nesse tal desfecho alternativo.

O entreterimento do filme, as imagens de uma metrópole abandonada, o drama do “último” ser humano e algumas dúzias de zumbis medonhos são bons motivos para o aluguel ou à compra desse DVD lançado pela Warner.