domingo, 13 de dezembro de 2009

SETS MIXADOS P/ DOWNLOAD - 2009

Fiquei algumas noites em claro gravando sets pro pessoal baixar.Podem conferir e críticas são bem vindas!

Os links para download estão aqui:
http://vladpontes.podomatic.com/

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DJ VLAD @ HIPHOP 80 BPM
Set com HipHops e R&Bs que bombaram em 2009, e algumas outras do meu gosto pessoal.Caprichei nas mixagens, podem conferir!

PLAYLIST:
Mims - This Is Why I'm Hot
Rihanna - Rehab
Mariah Carey - Touch My Body
Ray J - Sexy Can I
Lil Wayne feat. Bobby Valentino - Mrs. Officer
Chingy feat. Tyrese - Pullin' Me Back
Soulja Boy - Kiss Me Through the Phone
Snoop Dogg feat. R.Kelly - That's That
50 Cent - Wanna Lick
Kanye West feat. T-Pain - Good Life
Camron feat. Juelz Santana - Oh Boy
Ashanti - Good Good
Plies feat. NeYo - Bust It Baby
T.I. - Whatever You Like
T.I. feat. Rihanna - Live Your Life
Beyonce & Kanye West - Ego


DURAÇÃO: 64 Min
TAMANHO: 59.2 Mb




DJ VLAD @ EROTIC CHILL
Sequência non-stop com um groove bem agradável. Uma miscelânea de muito bom gosto: tem Chill Out, Soul, Trip Hop etc.

PLAYLIST:
Funk Como Le Gusta - Entrando Na Sua
Issac Hayes - Ike's Rap
Racionais Mc's - Jorge da Capadócia
Tricky - Hell Is Around The Corner
Justin Timberlake - Until The End Of Time
Air - Le Voyage De Penelope
Zero 7 - Destiny
Bob Marley - Stir It Up
Ayo - Down On My Knees
Erykah Badu - Didn't Cha Know
Marvin Gaye - Let's Get It On
Isley Brothers - Between The Sheets
Lovage - Stroker Ace
Thievery Corporation & Notch - Amerimacka
Groove Armada & Jeru The Damaja - Suntoucher
Corinne Bailey Rae - Trouble Sleeping
Bonobo - Noctuary
Regina Spektor - Fidelity
Portishead - Sheared Times
Lighthouse Family - Ain't No Sunshine
Morcheeba - Post Homous
Waiwan & Loretta Heywood - Feelin Me Feelin U
Amy Winehouse - You Know I'm No Good
Asteroids Galaxy Tour - The Sun Ain't Shining No More
Simon Says & Aisjah - Late at Night
Hugo Moldoro - I Know A Little Cuban

DURAÇÃO: 87 Min
TAMANHO: 79.6 Mb

domingo, 29 de novembro de 2009

Um jeito interessante de fazer rádio

“A Patrulha é um programa policial humorístico e não um humorístico policial. Fazemos questão absoluta de estarmos amparados pela realidade com a verdade, impregnada pela crueza das ruas, para alertar a todos. Acreditamos que a receita mágica é essencialmente falar a linguagem do povo e não o português de Coimbra arrevesado e sim o brasileiro dos bares, das esquinas, das ruas de todo Brasil. De vez em quando, face à crueldade do fato, nos comentários feitos pelo Coelho Lima apossasse dele uma natural revolta e aí sem que ele possa se conter manda um palavrão bem colocado. Não é falta de respeito, é indignação diante dos percalços vividos pelo povo que tem na Patrulha a sua voz mais forte.”



Desde o início da popularização da televisão, o rádio vem perdendo espaço como meio de comunicação. Por exemplo, As rádio-novelas – produto de entretenimento muito comum na década de 50 – se tornaram obsoletas em comparação às telenovelas. Aquele velho aparelho de rádio que ficava no meio da sala-de-estar deu lugar a uma caixa de madeira com uma tela de vidro dentro, onde passavam imagens em movimento e ainda saía som!
Com o surgimento da internet nem se fala. O rádio, que era considerado o meio da instantaneidade e rapidez, encontrou um adversário de peso. A notícia que saía primeiro no rádio, agora pode sair primeiro na web.


A concorrência com outros meios veio enfraquecendo o rádio – apesar de pesquisas mostrarem que ainda é o veículo de comunicação mais abrangente do Brasil – e transformou completamente seu jeito de ser. Há décadas atrás, o rádio trazia rádio-novelas, programas de auditório e talkshows pra dentro da casa das pessoas, e isso fazia um baita sucesso!

Hoje em dia, navegando pelo dial, só encontramos basicamente três tipos de programação: notícias, músicas e pastores pregando. Rádios “all news”, como a CBN, fazem um jornalismo tradicional e nos traz as ‘hard news’ bem padronizadas. Rádios musicais, como a Transamérica, botam música atrás de música, dividindo os programas apenas por estilos e gêneros. E as rádios evangélicas trazem suas pregações, como se fosse um culto a distância. Uma série de outros elementos foram deixados pra traz e a programação acabou ficando muito ‘pasteurizada’.

Mas, por incrível que pareça, conheci um programa que resgata um pouco daquela essência da época áurea do rádio brasileiro: é o ‘Patrulha da Cidade’, da Super Tupi. Trata-se de um noticiário policial a lá Datena e/ou Wagner Montes, mas com suas peculiaridades radiofônicas. O programa – transmitido durante a semana na hora do almoço – pega notícias esdrúxulas, que costumamos ver em jornais “populares”, como MeiaHora ou Extra, e faz daquilo um espetáculo sensacionalista. Um mero crime cotidiano vira uma narrativa com personagens e efeitos sonoros, um verdadeiro teatro.

Muita gente tem aversão ao sensacionalismo, mas o que me chamou atenção nesse programa foi a utilização de estéticas diferentes de todos outros noticiários que conheço. A BandNews, por exemplo, trataria a notícia de um assassinato dando dados da vítima e do criminoso, onde, quando e como aconteceu e todas essas questões jornalísticas. Esse é o modelo de jornalismo que se consagrou na mídia (e que eu também aprovo), mas o Patrulha dá uma nova roupagem a essas notícias, mexendo com o imaginário, trazendo humor e sensações ao ouvinte.

Não dá pra ficar explicando. Pra entender, só ouvindo. O programa vai ao ar de segunda à sábado, de meio dia às 13:15.
Dá pra escutar uma pequena esquete nesse link:
http://www.4shared.com/file/67975248/99f051ce/Radioescuta_-_PATRULHA_DA_CIDA.html?s=1


sexta-feira, 24 de julho de 2009

Pré-temporada para o Garota da Laje 2009

Eu não gosto de usar o blog pra postar qualquer bobeira idiota, tem muito blog por aí que faz isso. Mas dessa vez achei engraçado e não custa nada postar uma coisa mais leve de vez em quando. Acho que a audiência deve aprovar.

Mas enfim, a história é a seguinte: tava conversando pelo MSN com um amiga sobre um vídeo onde o Caco Barcellos entrevista uma menina revoltada por ter sido eliminada do concurso "Garota da Laje" (http://www.youtube.com/watch?v=QO_tSgQcGKQ).
Essa amiga - que chamarei de Laís para preservar sua verdadeira identidade - acabou de botar próteses de silicone nos seios, então eu brinquei - fiquei incentivando ela a aproveitar que está turbinada e participar do próximo concurso.
Mas antes disso precisaríamos de uma pré-temporada de preparação, pra chegar no dia do prêmio com tudo 100% em cima.

A Laís não gostou muito da proposta, mas achei o diálogo (praticamente um monólogo) bem engraçado. Lá vai:


VLaD diz:
olha, vamo pensar no q podemos fazer

VLaD diz:
na pré-temporada antes do concurso

VLaD diz:
vamo entra numa academia popular

VLaD diz:
daquelas que os pesos são tipo tijolo, concreto, saco de cimento

VLaD diz:
pra dar uma torneada

VLaD diz:
dps tem q pegar uma corzinha, ficar com uma marquinha sensual bolada

VLaD diz:
aí a gente faz bronzeador caseiro mesmo

VLaD diz:
mistura coca cola, café, figo e babosa

VLaD diz:
esfrega no corpo todo

VLaD diz:
pode misturar com BLONDOR junto pq aí aproveita e doura os pelos

VLaD diz:
ta acompanhando?

Laís diz:
oaheioaeoiaheoiaoiea

Laís diz:
aham

Laís diz:
pode continuar

VLaD diz:
tem q dar um trato no cabelo tbm

VLaD diz:
pelas minhas estatisticas as de cabelo liso tem mais chances de ganhar

VLaD diz:
poucos jurados gostam de cabelo crespo igual o seu

VLaD diz:
a gente compra um enê novo q tem no mercado, pérola negra

Laís diz:
crespo é o seu pentelho

VLaD diz:
baratinho e resolve isso num instante

VLaD diz:
ja me disseram que botar óleo de peroba dá uma disfarçada tbm

VLaD diz:
mas tem que ser algumas semanas antes, pq senão o cheiro fica muito forte

VLaD diz:
ta acompanhando?

Laís diz:
uhum

VLaD diz:
vc acabou de operar silicone, entao essa parte a gente pode pular

VLaD diz:
dizem que sexo embeleza a mulher, faz bem

VLaD diz:
nisso eu posso dar uma ajudinha

VLaD diz:
que mais vc acha que pode entrar na pré-temporada?

Laís diz:
um pau no seu cu


segunda-feira, 29 de junho de 2009

A mídia social mais queridinha pelos 'queridinhos' da TV.

Em julho, a série Ger@l.com será uma nova atração na grade da Globo. Acho que vai ser um programa voltado para o público jovem no estilo Malhação, mas tem uma característica interessante nisso aí: o Twitter será utilizado ao vivo e depois que o episodio terminar.


Esse mix de mídias tradicionais e online não é novidade na televisão. Algumas novelas utilizam blogs e outros recursos da internet. Mas arrisco dizer que o Twitter é a mídia online mais querida pelos “seres televisivos”.


A televisão ainda é o meio de comunicação mais impactante no Brasil. Então não é a toa que os twitteiros mais seguidos pelos brasileiros são personalidades como Marcelo Tas, Luciano Huck, Marcos Mion e Luciana Gimenez.

Programas de TV também têm seus perfis no sistema de microblogs, e os seguidores também somam um número bem expressivo – como é o caso de “Roda Viva”, “Descarga MTV”, “A Fazenda” etc.

Até Silvio Santos vêm apostando no potencial do Twitter de instantaneidade e de fidelização do público.


Fora do Brasil essa realidade não deve ser muito diferente. Foi depois que Oprah Winfrey citou o Twitter em seu programa que boa parte dos americanos começou a cadastrar seus perfis – foi um boom. Outro americano que é um dos mais seguidos e ativos do Twitter é o ator Ashton Kutcher.


Mas por quê?


Fiquei pensando nos motivos do Twitter ser tão bem aceito entre as celebridades da TV e algumas coisas me chamaram atenção.

Nessa mídia social, a “amizade” entre os usuários não precisa ser mútua. Ou seja, no Orkut e no Facebook quando eu sou amigo do Fulano, ele também é meu amigo. Mas no Twitter ser seguidor de alguém não significa que ele também vai te seguir. O Marcelo Tas, por exemplo, é seguido por mais de 115.000 twitteiros, mas segue menos de 500.

Isso faz muito sentido quando falamos de celebridades. Afinal, milhares de pessoas são “seguidoras” de um famoso, mas a celebridade não conhece a maior parte de seus fãs.


Outra característica do Twitter é o caráter mais informativo do que pessoal. Lá não temos álbuns e nem listas de preferências pessoais. Um twitteiro pode ter uma breve descrição no seu perfil, mas o que realmente importa são os twitts – textos instantâneos de até 140 caracteres. Essa dinâmica faz do Twitter uma ferramenta mais estratégica e menos “intimista”.


Só para completar: vi notícias que o Twitter vai lançar um “selo” que confirma a autenticidade do perfil. O verdadeiro Marcos Mion, por exemplo, terá um selo confirmando que o apresentador realmente é dono daquele perfil. Isso tira a possibilidade dos perfis fake se passaram pelos famosos.


Mais um motivo para o Twitter virar a rede social mais queridinha entre os queridinhos da mídia.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

"Big Up"

A alguns anos atrás era fácil encontrar faixas de Drum’n’Bass tocando no rádio ou pela noite brasileira. DJ Patife, DJ Marky, XRS, Drumagik, Kaleidoscópio, Ramilson Maia e alguns outros produtores estavam em alta por volta de 2003. Abusando de influências da música brasileira, algumas tracks viraram verdadeiros hits dançantes, como: LK (do DJ Marky, que usa samples de Jorge Ben e Toquinho) e Sambassim (do DJ Patife, em parceria com Fernada Porto).

Pena que esse boom do DnB no Brasil não passou de uma onda. Ainda existe produtores se dedicando ao estilo, como Marcelinho Da Lua e seu projeto Bossacucanova, mas esse gênero da música eletrônica está fora da cena mainstream faz tempo.

Mas não é só de samplers de MPB e da Bossa-Nova que vive o Drum’n’Bass. Na verdade, essa mistura com música brasileira foi uma adaptação bem sucedida idealizada por DJs brasileiros.

O DnB é por excelência um gênero inglês. Foi nos guetos londrinos, no inicio dos anos 90, que surgiu o Jungle - que futuramente receberia a alcunha de Drum'n'Bass. Esse estilo misturava Reggae com batidas aceleradas de HipHop e timbres eletrônicos, o que rendeu uma sonoridade caótica e frenética.

Os "resíduos" do Reggae e do HipHop eram evidentes. MCs com sotaque da Jamaica cantavam nos microfones enquanto os DJs faziam scratches e outras técnicas comuns ao HipHop. Menções ao rastafarianismo, à maconha e aos "gangstas" também eram comuns.

A presença freqüente de drogas e “bad boys” (ou rude boyz, na gíria jamaicana) criou uma imagem estigmatizada na cena do Jungle – história parecida com o nosso Funk Carioca. Para melhorar essa imagem “marginalizada e periférica”, promoters e DJs trocaram o nome do estilo para Drum’n’Bass e reformularam totalmente as festas e clubs.

Hoje o Drum’n’Bass já se espalhou pelo mundo e ganhou diversas novas facetas. Levadas funkeadas e atmosféricas deram mais suavidade ao estilo “barulhento e gritado”, mas sem perder a percussão carecterística e a linha de grave marcante e bem trabalhada. (Drum = Tambor; Bass = Baixo)

Vou disponibilizar o download de um set que gravei algum tempo atrás. Como sou fã de Reggae, as faixas são bem puxadas pro Ragga. Muita influência jamaicana relembrando as origens do gênero!


Link 1: http://rapidshare.com/files/248658379/Dj_Vlad___Selassie_Influence.mp3.html

Link 2: http://www.megaupload.com/?d=1VV4944T

SETLIST:

BlackStar & TopCat - Champion Dj
Shy Fx & T Power - On The Run
Tribe Of Issachar - His Imperial Majesty
Dj Zinc & Eksman - Drive By Car
Dj Zinc & Eskman - Roll Slow
Ebony Dubsters - Murderation
Aries - Herb Smoke
Beenie Man - Dude
Dj Zinc - Flim
Benny Page - Turn Down The Lights
Visionary - You Can't Surrender
Potential BadBoy & Mc Fats - Girls
Calibre - Mr Maverick
Benny Page - Dub Room
Digital - Sound Killa
Cyantific - Reincarnation Dub
S.T. Cal - Red Light
SKC - Funky Nassau
>> Capleton - Slew Dem
Visionary - Can't Satisfy Her
Nu Tone - Work
Division One - Crazy
Potential BadBoy - Warn Ya
Rawhill Cru - Mo'Fire
Top Cat - Police In Helicopter
Marcelinho Dalua & Black Alien - Tranquilo
Prizna & Demolition Man - Fire
Shy Fx & Uk Apache - Original Nuttah
Debaser & Demolition Man - The Children

Duração: 75 Min

Tamanho: 88 Mb


P.S: "Big Up" é uma saudação do vasto dialeto falado pelos "Junglists".

domingo, 26 de abril de 2009

Na falta de Ronaldo fenômeno, zagueiro Emerson.

Vou aproveitar que estou no pique e continuar escrevendo. Comigo é 8 ou 80, ou fico meses sem escrever, ou escrevo tudo de uma vez só.


Ninguém agüenta mais ouvir falar de Ronaldo no Corinthians, mas estava eu assistindo aquele joguinho mais ou menos entre Mengão e Botafogo, quando surgem as bolinhas na tela anunciando gols de outras partidas. E quem foi o responsável por duas daquelas bolinhas? Ele, o fenômeno, com direito a golaço de cobertura.

Se somar os atacantes do meu time – Emerson, Josiel, Obina – não dá um joelho ruim do Ronaldo. Dá raiva só de lembrar que esse desgraçado a um tempo atrás se recuperava e treinava nas dependências do Flamengo, prometendo vestir a camisa do time, dizendo que era rubro-negro desde sempre...
Mas não, esse cabrunco infeliz foi pro Corinthians faturar milhões de marketing e, principalmente, marcar um gol atrás do outro.

Tinha gente que duvidava da capacidade do gordo jogar bem. Mas eu sempre falei que, mesmo semi-obeso, esse molestado não perde gol não. Ainda mais com os zagueirinhos dos times brasileiros na marcação.

Ronaldo, seu filho-da-puta, você já tem dinheiro saindo pelo do cú, poderia ter ficado no Flamengo mesmo ganhando menos. Eu sonhava com um Ronaldo no ataque, e não com esses cones estáticos que não fazem diferença nenhuma na partida.

Sorte que na falta de um bom centro-avante, tem uns zagueiros que curtem fazer gol-contra...

Vai começar a putaria.

Bem leitores, o atual insight me veio quando eu estava fazendo um estudo compenetrado, sério e minucioso sobre vídeos da Mulher Filé no Youtube. Quem me conhece sabe que sou um funkeiro assumido e, aproveitando que o tema voltou a surgir na postagem anterior do meu colega insone, resolvi dar o ar das graças por aqui de novo. (Depois de uns 6 meses sem postar nada.)

Estava a analisar as danças e performances da Mulher Filé – com toda sua volúpia e remelexo – quando comecei a reparar que boa parte dos comentários eram agressivos, xingando e humilhando a dançarina. Isso me fez ficar perguntando: "Por que será que essa coitada é tão odiada? Ela não está fazendo mal a ninguém... Será que é tudo recalque e preconceito?". Em defesa de Yani De Simone, verdadeiro nome da Filé, fui recorrer ao meu background de idéias e teorias para ver se eu conseguia formular uma resposta objetiva para essas perguntas.

Logo de cara vale lembrar uma de minhas posições sobre o Funk Carioca: Trata-se de um gênero musical voltado pra pista de dança, pra descontração, pra diversão e catarse. Desde o início foi assim e, diferente do HipHop por exemplo, sua origem não foi necessariamente associada à música de protesto social ou educacional. (Não vou entrar no mérito de isso ser bom ou ruim, é apenas o fato). Sensualidade e apelo sexual são facetas dessa catarse funkeira. E isso vem desde o Miami Bass.
Considero que a religião seja o maior responsável pelo tabu criado em volta do sexo. Hoje nós vivemos numa sociedade secular/laica, onde nossos valores deveriam ser neutros em relação aos dogmas da igreja, porém é evidente que a herança religiosa ainda é fortíssima mesmo nas pessoas que não se consideram seguidoras de certa religião. Por isso eu entendo parte dos preconceitos e rótulos de “vulgaridade” que certas manifestações recebem, mas defendo com convicção que esse tabu deva ser deixado cada vez mais pra trás.

Eu sinceramente não vejo problema algum quando adultos esclarecidos e bem resolvidos dançam, cantam ou falam putaria. Não vejo como a putaria pode ser tão maléfica a ponto de a crucificarem tanto. Putaria não é violência, não é roubo, não é assassinato, não é ofensa (apesar de certas pessoas considerarem). Dançarinas rebolativas e MCs boca-suja não fazem mal a ninguém com seus trabalhos, são apenas alguns dos instrumentos do espetáculo sensorial da catarse funkeira. O objetivo é o entreterimento.

Uma questão delicada é a de quando o apelo sexual atinge crianças. Eu tenho uma irmã de 8 anos e realmente não gostaria que ela tivesse contato com certas coisas. Não acho sadio uma criança ter envolvimento precoce com o sexo, pode ser realmente um crime contra a infância. Mas o público alvo do Funk são os freqüentadores de bailes e festas que supostamente devem proibir a entrada de menores. Se essa censura não é respeitada o culpado não é o gênero Funk, nem as dançarinas, nem os MCs, e sim os realizadores do evento. O mesmo se aplica às transmissões de rádio e TV, deve-se ter a decência de não querer explorar o IBOPE sem um mínimo de escrúpulo, tudo tem seu limite.

Outra coisa delicada nesse assunto é cair na temida armadilha do machismo. Às vezes eu mesmo fico receoso de ser considerado um ogro machista por defender o Funk putaria. As feministas de plantão podem muito bem ficar indagando: "Que absurdo essas dançarinas se exibindo! São consideradas verdadeiras peças de carne, objetos sexuais!". Mas cada vez mais eu vejo que existe uma tendência interessante no mundo do Funk.
As MCs e dançarinas assumem certa responsabilidade na luta contra o machismo – mesmo inconscientes disso – quando assumem o lugar de "devoradoras de homens". É como se os papéis se invertessem, em vez do machão se gabar que é pegador e garanhão, são as mulheres que assumem esse papel, transferindo o posto de objeto sexual para os homens. Quando as meninas das Gaiolas das Popozudas cantam "Agora sou piranha e ninguém vai me segurar!" é como se fosse um grito de liberação. A própria Mulher Filé brinca com essa inversão de papéis quando zoa um amante de "lulu pequeno". Veja o vídeo.
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Ah, leitores anônimos e não-anônimos, podem me criticar a vontade, mas sejam tolerantes e não critiquem a pobre Mulher Filé. Tadinha... O seu único crime é mexer com o imaginário dos homens.
Tem um detalhe interessante sobre ela: o Mister Catra descobriu a Yani num baile mesmo, diferente dessas outras "Mulher-Alguma-Coisa" que são mais artificiais, não são funkeiras legítimas. Ela também se diferencia das outras pelo seu jeito de dançar, com passinhos originais e performáticos – como o "pisca-pisca" e o "caixa-eletrônico". Já vi ao vivo algumas vezes e sei que ela tem habilidades que não é pra qualquer um. Risos.