terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Sugestão de filme: Filhos da esperança

Com certeza esse foi o melhor filme que eu vi em 2007 (apesar de ser uma produção de 2006). Mas eu escuto falar muito pouco por aí sobre essa ficção científica com bons toques de drama e ação, acho que não recebeu toda a atenção que merecia. O filme, dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón, me agrada em todos os aspectos, não deixa a desejar no roteiro, na fotografia e nem na ação.


A história se passa na Inglaterra do ano 2027, o planeta se encontra caminhando para o fim da humanidade, faz 18 anos que as mulheres estão inférteis, faz 18 anos que nenhuma criança nasce. No início do filme vemos a notícia que a pessoa mais nova do mundo (um rapaz de 18 anos) é assassinado, e isso faz com que a triste lembrança da infertilidade volte a latejar na mente das pessoas. O planeta está mergulhado no caos e na falta de perspectivas, o governo distribui kits de suicídio e os conflitos com imigrantes estão cada vez mais graves. Além disso e do agravamento de muitos problemas sociais, o mundo não é muito diferente do que conhecemos hoje, as tecnologias super-avançadas presentes nas ficções futuristas não são presentes nessa produção, o que nos faz acreditar que daqui a 20 anos o mundo possa ser bem parecido com aquele retratado no filme.

Theo (Clive Owen) é um ex-ativista frustrado e inerte que é subitamente procurado pelos “Peixes”, que são um grupo militante que lutam pela causa dos imigrantes refugiados. Ele recebe a missão de levar uma imigrante até o “Projeto Humano”, que é uma organização clandestina e meio secreta que faz estudos sobre a infertilidade. O que Theo descobre depois é que essa jovem refugiada está grávida, ou seja, esse bebê seria o símbolo de uma nova esperança para o planeta Terra. Porém os “Peixes” pretendem usar o bebê como bandeira para a sua luta, reforçando o fato de que a nova esperança mundial vem do ventre de uma imigrante considerada ilegal e oprimida pelo Estado inglês. A mãe da criança não concorda com uma utilização política para o seu filho, então acaba fugindo com Theo e tentam chegar ao “Projeto Humano” por conta própria.
O filme é repleto de ação, reviravoltas e detalhes inteligentíssimos, eu sou capaz de ver o filme diversas vezes e cada vez notar alguma nova mensagem que o diretor quis nos passar, seja sobre preconceito, totalitarismo, falta de tolerância, etc.

Outro fato interessante são os recursos técnicos utilizados, principalmente, na fotografia do filme. Algumas seqüências chegam a ter 10 minutos de continuidade sem corte aparente, e tudo isso com uma câmera de mão ágil e móvel. Fico imaginando a dificuldade de filmar isso, por que não são cenas fáceis, são cenas cheias de ação onde a equipe precisa estar muito entrosada e ensaiada. Vendo o Making Of do filme nós temos uma noção de quanto planejamento foi preciso para realizar estas cenas.
Uma destas seqüências é dentro de um carro, o que dificulta muito por causa do espaço fechado e apertado. A solução encontrada para fazer a tomada sem cortes foi uma complexa instalação de uma câmera que entra por cima do teto do veículo e é capaz de fazer imagens em 360 graus dos 5 personagens que estão dentro do carro além da ação que acontece fora dele. Só achei esta cena no youtube com dublagem em alemão: http://br.youtube.com/watch?v=pJ0iOWhOItE.

Outra cena extraordinária é feita em meio à rebelião que acontece dentro de um campo de refugiados, o tiro está comendo solto e a seqüência é feita toda numa tomada só. Uma única câmera de mão acompanha Theo fugindo das balas e a tela fica toda respingada de sangue. Essa técnica traz muita emoção e tensão ao filme, dá aquela sensação que é uma câmera digital carregada por alguém que realmente participou dos fatos retratados no filme.

Esse filme, que é inspirado num romance chamado Children Of Men (nome original do filme em inglês), é um dos meus preferidos tanto pela temática como pela estética utilizada. Um fator pessoal que me fez ficar interessado no filme é que em junho de 2007 eu fui para Alemanha acompanhar os protestos contra o encontro do G8 em Rostock, e aprendi um pouco sobre a realidade que os imigrantes enfrentam nos campos de refugiados. Boa parte dos movimentos sociais europeus é encabeçada pela causa dos imigrantes do terceiro mundo, e gostei de ver essa temática ser tão enfatizada nesse filme.
Vou fechar a postagem com uma frase que aparece num programa de rádio que as personagens escutam num momento do filme, o radialista diz: “Agora vamos tocar uma música de 2003, quando as pessoas se recusavam a aceitar que o futuro estava a um passo”. Filhos da esperança pode servir como um alerta ao caminho que o planeta vem tomando, talvez daqui a pouco seja tarde demais e todas as expectativas de um mundo melhor podem se esgotar.

8 comentários:

Anônimo disse...

Ola muito massa seu blog!!!se quiser add como amigo blz!! visita e comenta tbm no meu blog site ;www.marcelomauricio.com

Abrcos

Seu Hélio disse...

muito bom seu blog, gostei bastante da resenha que fez sobre o filme. Com certeza me deu vontade de assistí-lo.

Também tenho um blog, e também está engatinhando. Convido vc a entrar lá e dá uma olhada...

http://www.auquemia.blogspot.com

Seu Hélio disse...

Olá, sou eu de novo. Seu blog é muito bom, mas sugiro que poste com mais frequência, pois acaba cansando o leitor, que entrando frequentemente nele, vê o mesmo post há quase um mês... Obrigado

http://www.auquemia.blogspot.com

Anônimo disse...

Gostei muito do blog! Vc escreve bem, continue nesse caminho q vc tem futuro!
Como já havia dito antes... fiquei até com vontade de ver o filme, e verei com certeza.
Bjs! Carla

Seu Hélio disse...

Como seria interessante ver algo de novo por aqui... mas entendo o que acomete o blogueiro quanto a frequencia de postagens

Katarina disse...

Sempre tive receio de ver esse filme pq li no jornal que era "estilo documentário"... mas depois de ler seu post vou rever meus conceitos, rs.

Conquistadores (Didixy) disse...

O que você disse, pode até ser certeza, mas não gostei do filme. Achei muito fora da realidade, além de fracas atuações, mas gosto é gosto.

Não creio que o futuro nosso será mais ou menos daquele jeito, nem passa perto.

Limeira disse...

Gostei muito do comentário sobre o filme. Seu blog é bem variado e interessante. Saludos. Maria José Limeira.