sexta-feira, 21 de novembro de 2008
RE: O Funk é Rastafári!
Os caras do DigitalDubs, um sound system aqui do Rio, também tiveram o mesmo insight que eu! Tanto que gravaram um mixtape que mistura o batidão do Funk com o ritmo do Dancehall. Vou botar aqui pra quem quiser conferir, ficou bem interessante.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Os sujos ou os mal lavados? Eis a questão.
Vale lembrar que Gabeira foi secretário do César Maia, assim como Paes foi subprefeito. Então ambos participaram do governo anterior, e não seria uma surpresa que o novo governo fosse apenas uma continuação do outro.
Vale lembrar também que o Gabeira sempre se mostra envergonhado e arrependido de uma das únicas coisas que o fazem merecer o título de "alternativo", que foi o tal sequestro ao embaixador americano.
A classe média pode reclamar de forma individualizada, talvez o governo do Gabeira pudesse ter alguns detalhes diferentes do Paes. Mas convenhamos que a classe mais necessitada e carente de ações do Estado são os menos abastados e, olhando o planejamento de ambos os candidatos, não vejo diferença no tratamento que essa classe receberá.
Vou citar um exemplo que vemos nas duas campanhas. As tais políticas de “limpeza” do Centro e de outras áreas ditas abandonadas. No papel parece tudo muito lindo, vamos poder andar tranqüilos pelas calçadas sem vermos cenas de mendigagem e sem nos preocuparmos com furtos de “pivetes”. Mas porque nunca perguntam o destino que esses mendigos e pivetes terão? Conheço gente engajada no movimento de sem-tetos (meus pais, por exemplo) e tenho certeza que eles sabem realmente o drama que existe por traz dessas políticas de “higienização urbana”.
Apenas inventar soluções superficiais ou maquiar problemas mais profundos não é o que o Rio precisa pra mudar sua situação. Qualquer candidatinho consegue prometer que vai botar a poeira pra debaixo do tapete, mas essa poeira está se acumulando cada vez mais. E, sinceramente, não consigo ver um prefeito se propor a "aspirar" de vez toda essa sujeira.
Eu não consigo ter crença no processo eleitoral. Talvez boa parte dessas 927 mil abstinências sejam pessoas desacreditadas como eu. Pessoas que não conseguem pôr esperanças nessa democracia fajuta, onde sempre se elege um sujo em vez de um mal lavado
P.S:
Revolução é uma mudança completa e profunda, uma alteração das bases e estruturas políticas, econômicas e sociais que prevalecem. Acredito que só assim as coisas vão mudar pra valer.
Acredito numa revolução e não apenas em reformismos.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Coisas da interatividade.
Mas essa interatividade, mesmo que limitada, nos proporcionou duas situações cômicas e constrangedoras a pouco tempo.
Coincidência ou não, as duas situações aconteceram em programas esportivos, quando o apresentador lê mensagens enviadas pelo público. A primeira vítima foi o apresentador do programa Sport Center (ESPN Brasil) e o segundo, depois de alguns dias, foi o narrador da Globo, num jogo de futebol de salão. Confira e repare no nome dos participantes:
Na hora da transmição os apresentadores não se tocaram, ou fingiram que não, mas com certeza proporcionaram bastantes gargalhadas de muita gente, ainda mais dos engraçadinhos (ou, de repente, do mesmo cara) que mandaram esses trotes à la Bart Simpson.
É... A interatividade com os meios de comunicação ainda pode ser restrita e limitada. Mas nos mostrou alguma serventia, pelo menos, humorística. Hoje em dia, o Oscar Alho, o Jacinto Pinto e o Timelo Aquino Rego encontram facilidades de interação que antigamente eram raríssimas na grande mídia.
sábado, 27 de setembro de 2008
Escute e relaxe... (e goze, se quiser)

Outro rótulo que certas músicas recebem é o de Lounge Music, que na verdade são músicas propicias à ambientes como restaurante, bares, salas de espera e até aeroportos. Hoje em dia muitos proprietários dão grande atenção à trilha sonora de seus estabelecimentos, já que isso é fundamental para criar o “clima” do recinto.
Vou disponibilizar pra vocês uma mixtape (set totalmente mixado, non-stop) que se enquadra nessas duas ocasiões acima. A playlist tem uma levada bem sensual e vem recheada de Trip-Hop, Soul, Downtempo, Reggae, R&B, etc. Uma mistureba que deu certo.
Issac Hayes - Ike's Rap
Racionais Mc's - Jorge da Capadócia
Tricky - Hell Is Around The Corner
Justin Timberlake - Until The End Of Time
Ayo - Down On My Knees
Zero 7 - Destiny
Bob Marley - Stir It Up
Erykah Badu - Didn't Cha Know
702 - Finding My Way
Marvin Gaye - Let's Get It On
Isley Brothers - Between The Sheets
8mm - Nothing Left To Lose
Corinne Bailey Rae - Trouble Sleeping
Bonobo - Noctuary
50 Cent & Robin Thicke - Follow My Lead
Sunshine Anderson – Heard It All Before
Groove Armada – My Friend
Thievery Corporation - Warning Shots
Waiwan – Feelin Me Feelin You
Amy Winehouse – You Know I’m No Good
AWOL One - Rythm
Duração: 77 Min
Tamanho: 72 MB
Link 1: http://w17.easy-share.com/1701582176.html
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
RE: Mertiolate ou água-oxigenada ?
“O governador Sérgio Cabral não tem nenhuma dúvida de que comanda uma guerra contra os traficantes do Rio de Janeiro. Ele tem agido assim. Com a ajuda do presidente Lula, montou um arsenal poderoso que está à disposição da polícia para sustentar o confronto.”
Nessa reportagem nós vemos um quadro com os gastos que o governo do RJ investiu em armamentos e equipamentos de segurança, em contraponto aos gastos com projetos sociais e obras que se referem à cidadania.
“Esse quadro tira as últimas dúvidas de que está consolidada a crença de que a segurança pública se faz primeiramente com o combate à violência. Depois, muito depois, haverá espaço para os projetos sociais. Isso, se a guerra for vencida. Mas, por enquanto, a cobra está fumando.”
E aí vem de novo aquela pergunta da postagem anterior: Pra que insistir em usar água oxigenada ou mertiolate se a solução mais sábia (e menos “ardida”) para tratar dessas feridas seria trocar de sapatos?
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Mulher-Melancia também gera reflexão!
Eis que de um tempo pra cá surge um novo fenômeno midiático, a famosa Mulher-Melancia. Apesar desse fenômeno ainda representar o culto ao corpo e à imagem – fato típico da nossa sociedade do espetáculo –, ela está longe desse “padrão magricela”. Mas Andressa – verdadeiro nome da persona – ainda é alvo de frequentes críticas. Além das reclamações sobre vulgaridade e futilidade, as mesmas pessoas que criticam o “padrão magricela” chamam Andressa de gorda e feia. (Contraditório, não?)
Sempre tive a impressão de que quanto mais popular o objeto, mais críticas negativas recebe. O próprio Samba - um de nossos símbolos nacionais - já passou por isso. Quanto mais “pop” mais “merda”. De fato, esse fenômeno frutífero de melancias, moranguinhos e jacas não é nada educador, conscientizador ou politizador, mas nós sabemos muito bem que o propósito da grande mídia (talvez infelizmente) não é esse. O grande propósito é o entreterimento. E é isso que as próprias pessoas têm buscado nos meios de comunicação. A mídia para mim não é essa entidade toda poderosa que faz o que bem entende, na minha opinião ela está mais para uma caricatura da sociedade. Os meios de comunicação veiculam aquilo que as pessoas desejam consumir, existe uma demanda pra esses “lixos midiáticos” - como muitos consideram. A maioria das pessoas realmente querem ver a Mulher-Melancia na TV. Ou seja, paralelamente com uma mudança da mídia em sí, é necessário uma mudança nos desejos e expectativas das pessoas. Coisa que não é nada simples.
("Só mesmo com a revolução", diriam os marxistas)
quinta-feira, 19 de junho de 2008
O Funk é Rastafári!
Isso não lembra os bailes funk com sua "posição da rã", "créu" e afins? Pois é, só que o som que escutamos atrás não é o batidão carioca, e sim o Dancehall jamaicano. Com suas batidas nervosas e muitos efeitos eletrônicos, o Dancehall é filho do Reggae e pai do HipHop. Aquela calma de Bob Marley e The Wailers foi substituída pela agressividade de Yellowman e Shabba Ranks. Os jamaicanos foram os primeiros que botaram um disco pra rolar e começaram a rimar por cima das batidas. Um MC – na Jamaica chamado de toaster – cantava por cima de batidas dançantes tocadas por um DJ – na Jamaica chamado de selector. Posteriormente essa cultura foi “exportada” para os EUA, ajudando assim na concepção do HipHop.

Os bailes daqui e de lá também são parecidos, os DJs/selectors são encarregados de botar os discos pra rolarem e os MCs/toasters ficam com a responsabilidade de animar o público. Até as danças rebolativas são semelhantes, vendo vídeos de festas de Dancehall é fácil de comparar (e até se confundir) com bailes cariocas. Só que aqui no Rio predominam as equipes de som e na Jamaica os Sound System, que na verdade são como equipes de som mas normalmente todos os equipamentos e aparelhagem são ligados no meio da rua, em locais públicos. É uma verdadeira intervenção urbana.
O Funk e o Dancehall são estilos marginalizados e, tanto no Brasil como na Jamaica, podem servir como termômetro da realidade das periferias. Tanto aqui no Rio quanto lá em Kingston, os dois estilos recebem forte preconceito, sendo considerados de “baixo nível”, “música de vagabundo” etc. Sexo e violência explícitos são assuntos que a sociedade normalmente prefere abafar.

