terça-feira, 28 de maio de 2013
terça-feira, 21 de maio de 2013
Resenha do conto 'O Congresso', do escritor latino-americano Jorge Luis Borges
Enfim, autobiográfico ou não, vamos à resenha do conto.
Ferri é um homem que está aparentemente no final da vida, velho e sem paixões, desanimado e insensível, mas que guarda uma lembrança única e vívida: sua participação no Congresso do Mundo. Borges tem alguma fixação com o infinito, uma espécie de megalomania fantástica, e nesse conto não é diferente. O Congresso é uma entidade enigmática, quase secreta, com o propósito de representar todos os homens de todas as nações, abarcando todo o planeta, sendo a plena representação do gênero humano. Proposta, no mínimo, ambiciosa, como o próprio autor evidencia no trecho:
“Twirl, cuja inteligência era lúcida, observou que o Congresso pressupunha um problema de índole filosófica. Planejar uma assembléia que representasse a todos os homens era como fixar o número exato dos arquétipos platônicos, enigma que ocupou durante séculos a perplexidade dos pensadores. Sugeriu que, sem ir mais longe, dom Alejandro Glencoe podia representar os proprietários de gado, mas também os uruguaios e também os grandes precursores e também aos homens de barba vermelha e os que estão sentados em uma poltrona. Nora Erjford era noruega. Representaria às secretárias, às norueguesas ou simplesmente a todas as mulheres belas?”
Em certa altura do conto, Ferri vai passar dias na fazenda de Dom Alejandro Glencoe, o fundador do Congresso, longe da vida urbana e movimentada. (Na fazenda, o eu-lírico tece alguns comentários racistas sobre os peões de “sangue índio” e que voltaria a tecer sobre o integrante negro do Congresso). Quando voltou para Buenos Aires, foi mandado a Londres para pesquisar e estudar em nome do Congresso e acabou apaixonado por uma estudante de literatura. Nesse trecho, Borges utiliza uma de suas características eruditas mais marcantes, a citação de obras literárias das mais diversas.
Essa parte da estória tem sentido especial para mim, pois morei em Londres e sei como a cidade britânica é verdadeiramente cosmopolita. Borges escreveu “na áspera fronteira do Brasil, havia-me acossado a nostalgia”, se referindo à temporada na fazenda, “mas não foi assim no vermelho labirinto de Londres, que me deu tantas coisas”. Além da paixão pela estudante, acredito que Ferri, homem cosmopolita e de horizontes globais, se encantou com a riqueza cultural da capital da Inglaterra, com o magnífico British Museum, onde fez suas pesquisas, e com todo aquele turbilhão de acontecimentos pelas ruas de arquitetura vitoriana.
Ao retornar de Londres, Ferri encontra o Congresso em crise, com rixas internas e desistências por parte dos integrantes. O fundador, Dom Alejandro, decide queimar todos os livros reunidos pelos congressistas e faz o seguinte discurso:
“Quatro anos levei pra compreender o que lhes digo agora. A tarefa que empreendemos é tão vasta que abarca, agora sei, o mundo inteiro. Não é uma porção de conversadores que se atordoam nos galpões de uma estância perdida. O Congresso do Mundo começou no primeiro instante do mundo e prosseguirá quando formos pó. Não existe um lugar em que não esteja.”
Voltando ao início, à crise de idade do eu-lírico, que se considera velho e acabado, o Congresso pode ser uma representação da juventude, do espírito sonhador, ambicioso, presunçoso, utópico. Ferri relembra os tempos de congressista com evidente nostalgia. Ferri sente falta da juventude. E Dom Alejandro, que já era de idade mais avançada na época do Congresso, pode ter perdido esse espírito justamente quando fechou o Congresso. Desistindo de “abarcar todo o mundo” e passando a viver sua vida particular.
Outra interpretação, dessa vez crítica, seria a de que Borges estaria sugerindo a impossibilidade de abarcar algo tão plural como a humanidade. Em tempos de ONU, resoluções de conflitos internacionais e o ainda existente etnocentrismo, o conto pode servir como uma crítica de como os supostos “xerifes” do mundo tentam reduzir tamanha pluralidade em um congresso representativo, mas que na verdade é formado de poucos indivíduos sem a menor chance de representarem todas as nuances do gênero humano.
terça-feira, 30 de abril de 2013
sexta-feira, 4 de maio de 2012
A Fábula, segundo O Globo
Era uma vez um vilão malvado e desumano que fazia turistas indefesos de refém e ordenava execuções de jovens donzelas, mas um belo dia ele foi capturado pelos cavaleiros paladinos do reino do Rio de Janeiro. Depois disso, o condado da Rocinha desabrochou numa fase de muita esperança de paz e todos viveram felizes para sempre.
Todos, até os plebeus?
Todos, até os plebeus?
segunda-feira, 26 de março de 2012
A serial-viúva
Fátima sempre foi muito bonita e prendada. Quando moça, arrasava corações e seus admiradores chegavam a sair no tapa pra atrair a atenção da pretendida. Diziam que era a mulher perfeita pra levar ao altar, a não ser por um importante detalhe que se revelaria mais tarde: todo marido de Fátima acabava morto.
Mas Fátima não era nenhuma assassina, longe disso. Ela simplesmente era assombrada por uma maldição, uma zica, uma praga, má sorte, conspiração do universo astral, vítima de mau agouro ou seja lá o que for. Era só Fátima assumir os laços matrimoniais que o marido não tardava em partir pra outra.
O primeiro foi Zé Augusto. Eram jovens, chegando na casa dos vinte anos. Sempre tiveram namoricos desde a época da escola e as famílias dos pombinhos logo aprovaram o casório. Era quase que um caminho natural para os dois.
Casaram-se na igreja do bairro onde moravam e arrumaram uma casinha para viver juntos. O casamento era só alegria, até que o carma de Fátima começou a entrar em ação.
O marido trabalhava de vigia na obra de um novo viaduto da cidade e, durante uma ronda de rotina, foi esmagado por um bloco de concreto que caiu lá de cima. Ninguém soube explicar as razões técnicas do acidente.
Fátima ficou arrasada, e mal sabia que era só o início de um pesadelo que a perseguiria feito uma maldição.
Três anos mais tarde, a moça ainda não tinha conseguido superar a partida prematura de Zé Augusto, que acreditava ser o amor de sua vida. Numa ida à missa (Fátima começara a frequentar a igreja depois de ter ficado viúva, assim como terreiros, sessões espíritas, encontros místicos etc), conheceu um rapaz muito acolhedor e boa gente. Era Carlos Manoel, dono de padaria. Começaram a se ver fora da igreja e engataram um namoro.
Carlos foi essencial para Fátima superar seu trauma, oferecendo ombro amigo e muita paixão. Passou certo tempo e se casaram também na mesma igreja do bairro.O segundo casamento durou mais tempo, onze meses e vinte nove dias. Só que o destino de Fátima já estava traçado e o que estava reservado para Carlos Manoel acabou por acontecer numa manhã de domingo.
O padeiro, que chegava antes de todos outros funcionários para preparar a primeira fornada do dia, morreu queimado numa explosão causada por um vazamento de gás. Só encontraram o carvãozinho em forma de homem e tiveram que identificar o corpo pelos dentes.
Viúva pela segunda vez, Fátima resolveu se mudar de cidade. Ela queria ir pra longe de toda aquela urucubaca. Fez as malas e partiu. Boa profissional, rapidamente conseguiu encontrar um emprego de secretária na nova cidade.
Mas o coração de Fátima mais parecia alvo de treino para o Cupido, e rapidamente se interessou por um colega do novo trabalho. Gerominho era meio atrapalhado e seu jeito desengonçado cativou a viúva.
Após pouco tempo namorando, Gerominho a surpreendeu e a convidou pra ir viver em sua casa. Do ponto de vista prático isso era uma ótima ajuda para Fátima, que até então não tinha encontrado um bom lugar para morar. Fátima aceitou, mas não contou sobre a maldição que trazia consigo. O desengonçado Gerominho também era meio azarado, e a soma de suas vibrações negativas com a zica da viúva adiantaram o processo padrão do destino.
Numa noite estrelada, Gerominho tomou coragem e pediu a mão de Fátima em casamento. A mulher aceitou de pronto, porém a emoção foi forte demais para o rapaz, que caiu duro tendo um ataque cardíaco fulminante.
Três casamentos e três maridos falecidos era demais para Fátima, que entrou em estado de luto permanente. Ora se culpava por toda aquela desgraça, ora culpava os deuses. Não entendia porque merecia tanto sofrimento, nunca fora má pessoa, nunca praticou pecados graves... Será que tudo aquilo era uma desagradável herança de vidas passadas? E que culpa teria disso? Não podia controlar o que fez ou o que deixou de fazer em vidas passadas. E os pobres coitados dos maridos? Precisavam pagar o pato, Deus? Simplesmente não era justo. Fátima se fechou a tudo que era mundano e a tudo que era sobrenatural também. Até que conheceu Cícero.
Fátima já tinha passado dos quarenta anos, era um longo tempo de reclusão, só vestindo preto. Depois de mais de uma década sem saber o que é se apaixonar ou despertar paixões, começou a receber presentes, bombons e flores de um admirador não tão secreto assim. Os cartões sempre vinham assinados: com amor, Cícero. Só não sabia quem era o galanteador.
Certo dia a campainha tocou e era o tal. Cícero se apresentou, pediu desculpas pela intromissão e explicou que a observava fazia tempo. Fátima ficou desconfiada, mas, depois de muitos anos afastado, o Cupido voltou a lançar suas flechas com a mesma pontaria de sempre. Fátima tinha se apaixonado de novo.
Começaram vagarosamente a ter um relacionamento. Fátima ainda não estava preparada para uma nova decepção e sempre freava o apressado Cícero, que queria se casar a qualquer custo. A viúva achou decente de sua parte contar sua história trágica. O pretendente ficou aparentemente muito chocado e pediu um tempo para pensar. Fátima ficou triste, mas resignada. Era óbvio que uma história daquela afugentaria qualquer homem.
Semanas depois, Cícero voltou afirmando que estava disposto a enfrentar a maldição. Ele falava que era tudo obra do acaso e, mesmo se fosse algum tipo de mau agouro, garantia que tinha o corpo fechado e o santo forte. Fátima admirou a coragem do homem e aceitou o pedido de casamento.
Dessa vez Fátima estava feliz, o casamento durava um ano, dois anos, quase três e nada de velório de marido. Cícero mudara muito nesses últimos tempos, andava estressado, perturbado e impaciente. A mulher não gostava de como as coisas iam fluindo, mas não tinha a ousadia de abandonar o único homem que tinha proteção contra sua praga maldita. Cícero, mesmo claramente infeliz, também não demonstrava interesse em deixá-la.
Num feriadão qualquer, Fátima preparou uma feijoada e serviu para o marido na varandinha onde comiam em dias de sol. Cícero caprichou na pimenta, deu uma bela garfada e quando ia engolir entrou num acesso de tosse, engasgou, sufocou e morreu roxo. Ficou ali, ainda sentado, com um sorriso estranho naquela cara redonda e arroxeada.
Fátima surtou com a morte do quarto marido e sumiu no mundo, nunca mais foi vista por ninguém. Sem a presença da esposa, o velório de Cícero foi vazio. Dizem as más línguas, que aquele homem tinha passado por abrigos psiquiátricos e tinha forte tendência suicida. Ele teria ficado sabendo da história da amaldiçoada e achou que seria a melhor forma de atingir seu objetivo, já que era covarde e tinha muito medo de altura pra se jogar de um prédio.
Quem conhecia Fátima garante que a mulher ficou pra titia.
Mas Fátima não era nenhuma assassina, longe disso. Ela simplesmente era assombrada por uma maldição, uma zica, uma praga, má sorte, conspiração do universo astral, vítima de mau agouro ou seja lá o que for. Era só Fátima assumir os laços matrimoniais que o marido não tardava em partir pra outra.
O primeiro foi Zé Augusto. Eram jovens, chegando na casa dos vinte anos. Sempre tiveram namoricos desde a época da escola e as famílias dos pombinhos logo aprovaram o casório. Era quase que um caminho natural para os dois.
Casaram-se na igreja do bairro onde moravam e arrumaram uma casinha para viver juntos. O casamento era só alegria, até que o carma de Fátima começou a entrar em ação.
O marido trabalhava de vigia na obra de um novo viaduto da cidade e, durante uma ronda de rotina, foi esmagado por um bloco de concreto que caiu lá de cima. Ninguém soube explicar as razões técnicas do acidente.
Fátima ficou arrasada, e mal sabia que era só o início de um pesadelo que a perseguiria feito uma maldição.
Três anos mais tarde, a moça ainda não tinha conseguido superar a partida prematura de Zé Augusto, que acreditava ser o amor de sua vida. Numa ida à missa (Fátima começara a frequentar a igreja depois de ter ficado viúva, assim como terreiros, sessões espíritas, encontros místicos etc), conheceu um rapaz muito acolhedor e boa gente. Era Carlos Manoel, dono de padaria. Começaram a se ver fora da igreja e engataram um namoro.
Carlos foi essencial para Fátima superar seu trauma, oferecendo ombro amigo e muita paixão. Passou certo tempo e se casaram também na mesma igreja do bairro.O segundo casamento durou mais tempo, onze meses e vinte nove dias. Só que o destino de Fátima já estava traçado e o que estava reservado para Carlos Manoel acabou por acontecer numa manhã de domingo.
O padeiro, que chegava antes de todos outros funcionários para preparar a primeira fornada do dia, morreu queimado numa explosão causada por um vazamento de gás. Só encontraram o carvãozinho em forma de homem e tiveram que identificar o corpo pelos dentes.
Viúva pela segunda vez, Fátima resolveu se mudar de cidade. Ela queria ir pra longe de toda aquela urucubaca. Fez as malas e partiu. Boa profissional, rapidamente conseguiu encontrar um emprego de secretária na nova cidade.
Mas o coração de Fátima mais parecia alvo de treino para o Cupido, e rapidamente se interessou por um colega do novo trabalho. Gerominho era meio atrapalhado e seu jeito desengonçado cativou a viúva.
Após pouco tempo namorando, Gerominho a surpreendeu e a convidou pra ir viver em sua casa. Do ponto de vista prático isso era uma ótima ajuda para Fátima, que até então não tinha encontrado um bom lugar para morar. Fátima aceitou, mas não contou sobre a maldição que trazia consigo. O desengonçado Gerominho também era meio azarado, e a soma de suas vibrações negativas com a zica da viúva adiantaram o processo padrão do destino.
Numa noite estrelada, Gerominho tomou coragem e pediu a mão de Fátima em casamento. A mulher aceitou de pronto, porém a emoção foi forte demais para o rapaz, que caiu duro tendo um ataque cardíaco fulminante.
Três casamentos e três maridos falecidos era demais para Fátima, que entrou em estado de luto permanente. Ora se culpava por toda aquela desgraça, ora culpava os deuses. Não entendia porque merecia tanto sofrimento, nunca fora má pessoa, nunca praticou pecados graves... Será que tudo aquilo era uma desagradável herança de vidas passadas? E que culpa teria disso? Não podia controlar o que fez ou o que deixou de fazer em vidas passadas. E os pobres coitados dos maridos? Precisavam pagar o pato, Deus? Simplesmente não era justo. Fátima se fechou a tudo que era mundano e a tudo que era sobrenatural também. Até que conheceu Cícero.
Fátima já tinha passado dos quarenta anos, era um longo tempo de reclusão, só vestindo preto. Depois de mais de uma década sem saber o que é se apaixonar ou despertar paixões, começou a receber presentes, bombons e flores de um admirador não tão secreto assim. Os cartões sempre vinham assinados: com amor, Cícero. Só não sabia quem era o galanteador.
Certo dia a campainha tocou e era o tal. Cícero se apresentou, pediu desculpas pela intromissão e explicou que a observava fazia tempo. Fátima ficou desconfiada, mas, depois de muitos anos afastado, o Cupido voltou a lançar suas flechas com a mesma pontaria de sempre. Fátima tinha se apaixonado de novo.
Começaram vagarosamente a ter um relacionamento. Fátima ainda não estava preparada para uma nova decepção e sempre freava o apressado Cícero, que queria se casar a qualquer custo. A viúva achou decente de sua parte contar sua história trágica. O pretendente ficou aparentemente muito chocado e pediu um tempo para pensar. Fátima ficou triste, mas resignada. Era óbvio que uma história daquela afugentaria qualquer homem.
Semanas depois, Cícero voltou afirmando que estava disposto a enfrentar a maldição. Ele falava que era tudo obra do acaso e, mesmo se fosse algum tipo de mau agouro, garantia que tinha o corpo fechado e o santo forte. Fátima admirou a coragem do homem e aceitou o pedido de casamento.
Dessa vez Fátima estava feliz, o casamento durava um ano, dois anos, quase três e nada de velório de marido. Cícero mudara muito nesses últimos tempos, andava estressado, perturbado e impaciente. A mulher não gostava de como as coisas iam fluindo, mas não tinha a ousadia de abandonar o único homem que tinha proteção contra sua praga maldita. Cícero, mesmo claramente infeliz, também não demonstrava interesse em deixá-la.
Num feriadão qualquer, Fátima preparou uma feijoada e serviu para o marido na varandinha onde comiam em dias de sol. Cícero caprichou na pimenta, deu uma bela garfada e quando ia engolir entrou num acesso de tosse, engasgou, sufocou e morreu roxo. Ficou ali, ainda sentado, com um sorriso estranho naquela cara redonda e arroxeada.
Fátima surtou com a morte do quarto marido e sumiu no mundo, nunca mais foi vista por ninguém. Sem a presença da esposa, o velório de Cícero foi vazio. Dizem as más línguas, que aquele homem tinha passado por abrigos psiquiátricos e tinha forte tendência suicida. Ele teria ficado sabendo da história da amaldiçoada e achou que seria a melhor forma de atingir seu objetivo, já que era covarde e tinha muito medo de altura pra se jogar de um prédio.
Quem conhecia Fátima garante que a mulher ficou pra titia.
sexta-feira, 23 de março de 2012
O ato pré-concebido de redigir peças literárias ou análises que lançam mão de metodologias acadêmicas utilizando artifícios discursivos de alta complexidade verbal representa um retrocesso no processo cognitivo de percepção da mensagem originada pelo ator social que é o emissor. Dado que as narrativas precisam penetrar na subjetividade do receptor para, enfim, gerar um significado que culminará na alteração de sua visão de mundo, não há necessidade de tal prática impregnada de rebuscamento ser perpetuada nas esferas de criação do conhecimento.
Ou seja, não precisa ficar escrevendo difícil, porra.
Ou seja, não precisa ficar escrevendo difícil, porra.
Análise: destrinchando o vídeo "Para Nossa Alegria"
Começaremos com Suelen, a irmã. Claramente notamos que a menina tenta atrair toda a atenção para si, almejando ser o personagem principal da peça audiovisual. Nos deparamos com o mais característico exemplo paradigmático de adolescente dominadora e controladora, mas que no fundo de seu âmago subjetivo é carente de atenção e, por causa de seu caráter falho, tenta manter uma posição de liderança dentro do círculo da família, subjugando os outros membros de seu núcleo familiar a fim de se sentir mais segura consigo mesma (como fará com seu irmão Jefferson, visando ridicularizá-lo, mas disso falaremos a seguir). Suelen assume o papel de uma espécie de ditador dentro de seu micro-cosmo.
Quem também possui grave desequilíbrio emocional é Mara, a mãe. Nota-se que desde o início do vídeo ela não está confortável com a situação. Com seus braços cruzados indicando uma postura defensiva e fechada, Mara lança incessantes olhares para Suelen, que, como supracitado, faz o papel de um suposto líder implacável no núcleo familiar. Esses olhares são verdadeiros pedidos de ajuda e afago. Mara está numa posição em que não se sente a vontade: sendo filmada para um público que domina razoavelmente tecnologias da informática que nunca dominou. Ou seja, seu porto-seguro seria alguém habituado com tais tecnologias e que poderia servir de guia nesse novo mundo do ciberespaço online. Logo, por conseguinte, sua filha Suelen, que é usuária do Orkut há anos, é o ator social perfeito para oferecer-lhe reconforto. O melhor exemplo dessa dependência afetiva é vista aos 01:10, quando Mara hesita em continuar cantando a canção sem a companhia da filha.
Por último, mas não menos importante, analisaremos o comportamento de Jefferson, o irmão. Rapaz de sorriso aberto e notável talento musical, Jefferson surpreende a todos quando solta a voz e, para nossa alegria, presenteia o mundo com seu dom de cantor barítono, atingindo tons de tenor solista. Porém, Jeff sofre perversas represálias por parte de sua irmã dominadora e sua mãe insegura. Nitidamente ofuscada pelo primor musical de seu irmão, Suelen apela para uma nada espontânea crise de risos (atitude normal em outros estudos de casos semelhantes), tentando desmoralizar Jeff, que continua a tocar seu instrumento de cordas elegantemente. A insegura Mara, também ofuscada e desmoralizada, sente-se rebaixada e nem ao menos tenta se impor na situação, levantando do sofá e desistindo de participar daquele momento que deveria ser de prazer e partilhamento.
Provavelmente, não existe a presença de um pai nesta família, o que ocasiona uma séria falta de referência no que diz respeito a uma figura masculina paterna para a filha, e figura matrimonial para a mãe. O único membro do núcleo familiar que lida bem com a situação é Jefferson, que, segundo nossas projeções, foi acolhido pela banda de sua igreja e que se espelha nos bons homens que o ensinaram a lapidar seu dom na música. Talvez por isso, Mara e Suelen guardem tamanho rancor de Jefferson. Parte desse sentimento é uma transferência substancial do ódio que sentem pelo pai/marido que as abandonou. Outra parte é um misto de reações psíquicas chamadas comumente de inveja, já que mãe e irmã não suportam ver Jeff desfrutando de plena satisfação em sua vida musical e social.
No entanto, não podemos esquecer que o desafiador cenário contemporâneo promove a alavancagem das posturas nas famílias nucleares com relação às suas atribuições. O que temos que ter sempre em mente é que o início da atividade geral de formação de atitudes não pode mais se dissociar das condições inegavelmente apropriadas. A certificação de metodologias que nos auxiliam a lidar com a percepção das dificuldades não pode mais se dissociar das formas de ação. Ainda assim, existem dúvidas a respeito de como o aumento do diálogo semiótico promove a efemeridade subjetiva dos relacionamentos verticais entre as hierarquias domésticas, tal qual aparecem no trio analisado.
O autor deste ensaio acadêmico é Phd em Psiquiatria Ortomolecular pela Universidade de Brasília e pesquisador-chefe no Center of Psico-cognitives Theories and Family Studies da Universidade de Neurociência de King’s College (Reino Unido)
Referências bibliográficas:
BAUER, Jack. Etinoanálise epistemológica da família. New York, v. 15, n. 1,
p. 45-57, 2002.
DE SOUZA, Maurício. Cognição e teimosia: a linguística como método. In: SANGALO, Ivete. (Org.). Percursos piagetianos. São Paulo: Cortez, 1997. p. 63-76.
CREED, Apollo. Science and mystery of butterfly. In: CHANGING BEHAVIOR: HEALTH AND HEALTHCARE, HEALTHPSYCHOLOGY, 5., 2001, Scotland. Abstract... Scotland: European Health Psychology Society/British Psychological Society of BOXE, 2001.
AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION OF HAMBURGUER. Manual de publicação da American Psychological Association. Tradução de JOEL SANTANA. Rio de Janeiro: ARTMED, 2002. 329 p.
DE VITO, Danny. Is the book on the table? Social dissertation about perceptions of reality. PSYCHIATRIC RESEARCH. Guinnes Book. Dublin - Republic of Ireland, v.48, pg. 34 - 39, 2010
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Amor maneta
A mulher, que realiza mil empreitadas num breve intervalo de tempo, entra pela sala com os braços esticados pra frente, pressionando alguma coisa com as palmas da mão, sem usar os dedos:
– Amor, abre esse frasco pra mim. Acabei de pintar as unhas e não quero estragar o esmalte cor de romã fresca.
O homem, inteiramente concentrado na sua única tarefa de assistir à mesa redonda, responde:
– Pô, não vai dar... Minhas mãos estão ocupadas. Essa daqui já mal dá conta de coçar o saco, e essa outra aqui fica monopolizada pela latinha de cerveja.
– Amor, abre esse frasco pra mim. Acabei de pintar as unhas e não quero estragar o esmalte cor de romã fresca.
O homem, inteiramente concentrado na sua única tarefa de assistir à mesa redonda, responde:
– Pô, não vai dar... Minhas mãos estão ocupadas. Essa daqui já mal dá conta de coçar o saco, e essa outra aqui fica monopolizada pela latinha de cerveja.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Irã x EUA
Olhando o mapa do Oriente Médio eu entendi a implicância dos States com o Irã.
Se repararem, o Irã controla o Estreito de Ormuz, que é o único caminho pra chegar no Golfo Pérsico por mar. E esse estreito não é apenas um corredor marítimo qualquer. É por esse pedacinho de água que passam 40% da produção de petróleo de todo o mundo! Ou seja, o ocidente viveria um de seus maiores pesadelos econômicos se o Irã resolve fechar a passagem ou mesmo impor um controle mais duro sobre as navegações pelo Estreito de Ozmur.
![]() |
| O Estreito de Ormuz é aquela passagem entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã |
E porque o programa nuclear iraniano é tão suspeito? Eu também não sei. O próprio Estados Unidos tem o seu programa nuclear (que inclui bombas), a França tem, a Índia também... mas todos são parceiros comerciais e não oferecem risco à economia estadunidense.
As artimanhas americanas no Irã não são recentes. Na verdade, toda a onda de terrorismo e ditaduras dos árabes podem ter começado no Irã, por causa do Estados Unidos. Foi lá que os americanos deram o primeiro golpe de Estado no Oriente Médio, em 1953.
Mohamed Mossadegh, primeiro-ministro iraniano eleito democraticamente, não estava se alinhando com as políticas americanas e foi derrubado. Quem voltou ao poder foi o líder religioso Mohamed Reza, que era uma marionete do ocidente. O regime do xá durou 25 anos e foi uma das maiores influências pra outros governos extremistas.
Eu li um livro muito bom que conta os bastidores do golpe de Estado que derrubou Mossadegh, detalhe por detalhe. É o “Todos os Homens do Xá”, de Stephen Kinzer, que na época era correspondente do New York Times.
Não sei se o livro é fácil de achar, mas vale muito à pena a leitura. Muito esclarecedor e parece até o roteiro de algum filme sobre conspirações.
domingo, 20 de novembro de 2011
Colombian people...
Esse ano eu conheci alguns colombianos, e todos eles viajam pro Egito. Fiquei achando que a Colômbia tinha uma conexão milenar profunda com a terra dos hieróglifos. Tipo dessas viagens de retorno às raízes.
Mas não. É que o Egito é o único país onde eles podem entrar sem ter o visto.
Pra um colombiano passar alguns dias em qualquer outro país, mesmo turisticamente, ele tem que provar por A+B que não é um negociador de cocaína e, as mulheres, que não são putas.
Todo colombiano que eu conheci estava sempre muy ocupado haciendo a papelada do visto e nunca tinham tempo pra nada, nem pra ir no club de salsa.
Eles precisam encarar a burocracia de imigração até pra atravessar a rua, coitados.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Les Maítres Fous - Os Mestres Loucos (1953)
"Enquanto a panela ferve, os Haouka, que não temem o fogo ou água fervente, metem a mão no caldeirão para pegar os pedaços de cachorro. O comandante malvado tem o melhor pedaço: a cabeça."
Tribo africana em ritual de possessão, filmado e narrado pelo antropólogo Jean Rouch.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Patricia Acioli, Mark Duggan e as diferentes reações
Acabei de voltar de Londres faz pouco mais de uma semana, e depois de 6 meses vivendo na capital inglesa você se entristece de ver que por aqui tem muita coisa funcionando de forma errada. O que mais me incomodava eram as questões de segurança e transporte público. Morando lá você inevitavelmente fica “mal acostumado” com a sensação de segurança e a facilidade de se locomover de metrô e ônibus.
Mas o insight de hoje não tem a ver com isso. O insight de hoje diz respeito a minha percepção de como falta um sentimento de coletividade no povo brasileiro.
Vou explicar com exemplos práticos e reais:
Na noite de ontem a juíza Patrícia Acioli foi assassinada na frente de casa. Patrícia era linha dura com casos de grupo de extermínio e milícias. Não temia ameaças e fazia o que tinha de ser feito: condenar os envolvidos nessa imundice. Ato de coragem e valentia, pois como sabemos ir contra os interesses desses grupos é como entrar na fila pra sentença de morte. Por isso aparecem poucas testemunhas nesses casos, ninguém quer botar o cú na reta de milicianos. Ela foi corajosa e honrou o papel da lei, porém acabou morta, deixando 3 filhos.
E o que vai acontecer? Vão prender os responsáveis? Não. E a população vai achar o que disso tudo? Vamos esquecer a notícia em menos de uma semana. A justiça é demorada, a população é passiva e tudo fica por isso mesmo.
Agora vamos olhar pro exemplo de Londres: o mesmo telejornal que anunciou a morte de Patrícia continua noticiando sobre a onda de insurgências por lá. Insurgências que começaram depois da morte do jovem Mark Duggan. A morte de UM JOVEM foi o estopim dessa onda que dura quase uma semana. UM JOVEM é o que morre todo dia em algum bairro aqui do Rio e simplesmente nada acontece.
Não quero defender os métodos que esses londrinos vêm usando pra expor sua revolta e nem pretendo entrar nessa discussão, meu ponto é simplesmente o ato de reagir, assim como eles vêm reagindo aos cortes impostos pelo governo pra curar a ressaca da crise. A população sai às ruas pelos seus direitos, brigam, xingam, fazem suas reivindicações serem escutadas... Coisa natural pra quem se sente parte de uma coletividade que escolheu por quem ser governado.
Então fica a dica para nós – Já que o governo e a justiça brasileira parecem não ligar pra gente, será que não está na hora de aprender com essa sociedade combativa e sair na rua cobrando? Vai que esse empurrãozinho faz pegar no tranco...
Mas o insight de hoje não tem a ver com isso. O insight de hoje diz respeito a minha percepção de como falta um sentimento de coletividade no povo brasileiro.
Vou explicar com exemplos práticos e reais:
Na noite de ontem a juíza Patrícia Acioli foi assassinada na frente de casa. Patrícia era linha dura com casos de grupo de extermínio e milícias. Não temia ameaças e fazia o que tinha de ser feito: condenar os envolvidos nessa imundice. Ato de coragem e valentia, pois como sabemos ir contra os interesses desses grupos é como entrar na fila pra sentença de morte. Por isso aparecem poucas testemunhas nesses casos, ninguém quer botar o cú na reta de milicianos. Ela foi corajosa e honrou o papel da lei, porém acabou morta, deixando 3 filhos.
E o que vai acontecer? Vão prender os responsáveis? Não. E a população vai achar o que disso tudo? Vamos esquecer a notícia em menos de uma semana. A justiça é demorada, a população é passiva e tudo fica por isso mesmo.
Agora vamos olhar pro exemplo de Londres: o mesmo telejornal que anunciou a morte de Patrícia continua noticiando sobre a onda de insurgências por lá. Insurgências que começaram depois da morte do jovem Mark Duggan. A morte de UM JOVEM foi o estopim dessa onda que dura quase uma semana. UM JOVEM é o que morre todo dia em algum bairro aqui do Rio e simplesmente nada acontece.
Não quero defender os métodos que esses londrinos vêm usando pra expor sua revolta e nem pretendo entrar nessa discussão, meu ponto é simplesmente o ato de reagir, assim como eles vêm reagindo aos cortes impostos pelo governo pra curar a ressaca da crise. A população sai às ruas pelos seus direitos, brigam, xingam, fazem suas reivindicações serem escutadas... Coisa natural pra quem se sente parte de uma coletividade que escolheu por quem ser governado.
Então fica a dica para nós – Já que o governo e a justiça brasileira parecem não ligar pra gente, será que não está na hora de aprender com essa sociedade combativa e sair na rua cobrando? Vai que esse empurrãozinho faz pegar no tranco...
sábado, 25 de dezembro de 2010
Rio de Contas - Chapada Diamantina - BA
A vantagem de viajar de carro é que o próprio caminho é uma atração a parte, e erros de percurso podem reservar boas surpresas. Parte do trajeto pelo interior da Bahia é composto por estradinhas de terra bem precárias e sem sinalização alguma, mas que proporcionam cenas que fazem todo o sentido pra quem já leu Graciliano Ramos, Euclides da Cunha ou Guimarães Rosa.
Cruzamos pequenas boiadas, beiramos lavouras, pedimos informações a trabalhadores locais, conhecemos vilarejos isolados que nunca ouviríamos falar… Casinhas de barro, cercas de galhos retorcidos, pequenos currais de pedra… Cenas típicas de uma região humilde onde predominam os pequenos agricultores e vaqueiros, com pouquissíma influência da cidade grande. No meu caso, é impossível não se identificar com esse povo sofrido porém perseverante: parte da minha família viveu essa realidade e desde moleque eu escuto histórias desse interior nordestino – ao som de Luiz Gonzaga.


Já retomando o asfalto e chegando a alguns quilômetros da Chapada Diamantina, avistamos no horizonte uma enorme serra de imponentes paredões rochosos com alguns fiapos brancos que depois se revelariam cachoeiras. A vista é fascinante! Dá vontade de acelerar cada vez mais, pra chegar mais rápido naquele chapadão. A parti daí, a estrada é só subida, passando por algumas cidades até chegar em Rio de Contas.
Rio de Contas é uma cidade histórica rica em manifestações religiosas e que já foi cenário para gravação de filmes (como Abril Despedaçado). Mas descobrimos que, pra quem procura o melhor do ecoturismo da Chapada Diamantina, se hospedar em Rio de Contas não é a melhor opção.Os melhores passeios ficam bem distantes da cidade e as estradas precárias fazem as distâncias parecem ainda mais longas. Uma melhor opção de estadia é o município de Ibicoara, que fica a 100 Km de Rio de Contas e conta com duas das cachoeiras mais bonitas da Chapada: Buracão e Fumacinha.

Para chegar na cachoeira do Buracão – onde só é permitida a visita acompanhado de um guia –, precisamos pegar uma estradinha de terra que sai do centro de Ibicoara e sobe alguns quilômetros. Depois deixamos o carro estacionado e tomamos uma trilha que dura pouco mais de uma hora. A trilha vai beirando o cânion do Rio Espalhado e durante o caminho vamos degustando alguns "aperitivos" até chegar ao objetivo final. Passamos pela cachoeira do Buraquinho e das Orquídeas, onde admiramos a vista e tiramos algumas fotos. Mas o grand finale ainda estava por vir.
Depois da subida, nós descemos pra dentro do cânion com ajuda de escadas de madeira ou então se escorando nas pedras até chegar numa grande galeria chamada Recanto Verde. Estamos rodeados de altas paredes de rocha, como se fosse uma cratera funda. Do lado direito, a uns 40 metros de altura, um riacho subterrâneo brota de dentro da pedra e cai formando uma cachoeira. Depois da queda, a água volta a desaparecer se infiltrando nas pedras. O resto da galeria é todo coberto de musgo bem verde e proporciona um visual muito louco. (Parece o planeta do filme Avatar!)
Seguindo um pouco mais pelas pedras, chegamos finalmente na parte de dentro do cânion da Cachoeira do Buracão – o grand finale! As paredes de mais de 80 metros formam um corredor onde o Rio Espalhado vai fluindo com suas águas escuras como Coca-Cola. Logo demos um mergulho e fomos nadando contra a correnteza até a galeria onde encontramos a queda d'água. Sei que é clichê falar que ‘não há palavras’, mas é exatamente assim que eu me sinto ao tentar descrever aquele lugar deslumbrante. Podem me chamar de exagerado, mas arrisco dizer que a Cachoeira do Buracão é o lugar mais lindo que já visitei. Vou postar algumas fotos, mas nada se compara à experiência de sentir a força do vento que a queda d’água provoca, de olhar o céu estreito na parte de cima daquele corredor de pedra, de agarrar entre as fendas de rochas moldadas pelo tempo, de nadar entre aqueles paredões de calcário e arenito...


No dia seguinte, não conseguimos ir até a Cachoeira da Fumacinha, porque a trilha é bem longa e o passeio precisa começar muito cedo. Como nossa pousada ficava em Rio de Contas, teríamos que acordar antes das 5 horas da manhã. Particularmente, foi uma grande frustração, mas pelo menos fica a lição pra uma próxima viagem à parte sul da Chapada.
Agora estou em Lençois, município no coração do Parque Nacional da Chapada Diamantina, e em breve escrevo as aventuras que tivemos por aqui.
Pra finalizar: UM FELIZ NATAL!
Cruzamos pequenas boiadas, beiramos lavouras, pedimos informações a trabalhadores locais, conhecemos vilarejos isolados que nunca ouviríamos falar… Casinhas de barro, cercas de galhos retorcidos, pequenos currais de pedra… Cenas típicas de uma região humilde onde predominam os pequenos agricultores e vaqueiros, com pouquissíma influência da cidade grande. No meu caso, é impossível não se identificar com esse povo sofrido porém perseverante: parte da minha família viveu essa realidade e desde moleque eu escuto histórias desse interior nordestino – ao som de Luiz Gonzaga.
Já retomando o asfalto e chegando a alguns quilômetros da Chapada Diamantina, avistamos no horizonte uma enorme serra de imponentes paredões rochosos com alguns fiapos brancos que depois se revelariam cachoeiras. A vista é fascinante! Dá vontade de acelerar cada vez mais, pra chegar mais rápido naquele chapadão. A parti daí, a estrada é só subida, passando por algumas cidades até chegar em Rio de Contas.
Rio de Contas é uma cidade histórica rica em manifestações religiosas e que já foi cenário para gravação de filmes (como Abril Despedaçado). Mas descobrimos que, pra quem procura o melhor do ecoturismo da Chapada Diamantina, se hospedar em Rio de Contas não é a melhor opção.Os melhores passeios ficam bem distantes da cidade e as estradas precárias fazem as distâncias parecem ainda mais longas. Uma melhor opção de estadia é o município de Ibicoara, que fica a 100 Km de Rio de Contas e conta com duas das cachoeiras mais bonitas da Chapada: Buracão e Fumacinha.
Para chegar na cachoeira do Buracão – onde só é permitida a visita acompanhado de um guia –, precisamos pegar uma estradinha de terra que sai do centro de Ibicoara e sobe alguns quilômetros. Depois deixamos o carro estacionado e tomamos uma trilha que dura pouco mais de uma hora. A trilha vai beirando o cânion do Rio Espalhado e durante o caminho vamos degustando alguns "aperitivos" até chegar ao objetivo final. Passamos pela cachoeira do Buraquinho e das Orquídeas, onde admiramos a vista e tiramos algumas fotos. Mas o grand finale ainda estava por vir.
Depois da subida, nós descemos pra dentro do cânion com ajuda de escadas de madeira ou então se escorando nas pedras até chegar numa grande galeria chamada Recanto Verde. Estamos rodeados de altas paredes de rocha, como se fosse uma cratera funda. Do lado direito, a uns 40 metros de altura, um riacho subterrâneo brota de dentro da pedra e cai formando uma cachoeira. Depois da queda, a água volta a desaparecer se infiltrando nas pedras. O resto da galeria é todo coberto de musgo bem verde e proporciona um visual muito louco. (Parece o planeta do filme Avatar!)
Seguindo um pouco mais pelas pedras, chegamos finalmente na parte de dentro do cânion da Cachoeira do Buracão – o grand finale! As paredes de mais de 80 metros formam um corredor onde o Rio Espalhado vai fluindo com suas águas escuras como Coca-Cola. Logo demos um mergulho e fomos nadando contra a correnteza até a galeria onde encontramos a queda d'água. Sei que é clichê falar que ‘não há palavras’, mas é exatamente assim que eu me sinto ao tentar descrever aquele lugar deslumbrante. Podem me chamar de exagerado, mas arrisco dizer que a Cachoeira do Buracão é o lugar mais lindo que já visitei. Vou postar algumas fotos, mas nada se compara à experiência de sentir a força do vento que a queda d’água provoca, de olhar o céu estreito na parte de cima daquele corredor de pedra, de agarrar entre as fendas de rochas moldadas pelo tempo, de nadar entre aqueles paredões de calcário e arenito...
No dia seguinte, não conseguimos ir até a Cachoeira da Fumacinha, porque a trilha é bem longa e o passeio precisa começar muito cedo. Como nossa pousada ficava em Rio de Contas, teríamos que acordar antes das 5 horas da manhã. Particularmente, foi uma grande frustração, mas pelo menos fica a lição pra uma próxima viagem à parte sul da Chapada.
Agora estou em Lençois, município no coração do Parque Nacional da Chapada Diamantina, e em breve escrevo as aventuras que tivemos por aqui.
Pra finalizar: UM FELIZ NATAL!
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Diamantina - MG - 20 de dezembro
Ontem (dia 19), eu, meu pai e meu irmão começamos a viagem de carro que vínhamos programando há algum tempo - a caminhonete é nova e cheia de funções "trip", ideal pra viagens brabeira. Partimos de manhã de Niterói e chegamos por volta de 20h em Diamantina. Perdemos muito tempo num trecho da estrada que estava no esquema Pare-Siga por causa de uma obra. Fora isso, a viagem foi tranquila e sem muitas novidades. A paisagem só chama mais atenção quando finalmente chegamos na região do Jequitinhonha, onde notamos uma geologia diferente da que estamos acostumados no Rio. Grandes pedregulhos rachados formam serras e morros num extenso planalto.
As cidades históricas de MG são bem parecidas, quem conhece Ouro Preto e Tiradentes, por exemplo, não se surpreende com Diamantina. Ladeiras, igrejas, ruas de pedra, arquitetura de época, heranças da época de mineração e garimpo...

Amanhã cedo pegamos estrada até Rio de Contas, que já faz parte da Chapada Diamantina, na Bahia. Estou bem ansioso para o trajeto de 780Km entre Diamantina e Rio de Contas: as rodovias do norte de Minas e interior da Bahia passam por alguns dos lugares mais ermos do Brasil. Sertão brabo! Quero ver ema, jegue, caatinga e a tração do carro sendo testada!
Hoje (dia 20), não conseguimos aproveitar muita coisa no nosso rolé pelo centro histórico da cidade, pois, pro nosso azar, a maioria das atrações não funcionam na segunda-feira. A casa de JK e da Chica da Silva - ícones da cidade - estavam fechadas para visitação. As igrejas também não são tão vistosas como as de Ouro Preto. Deu pra perceber que um dia é mais do que suficiente pra conhecer tudo.
Já que não dava pra curtir a tradição histórica da cidade, a parada era buscar aventura. Resolvemos enfrentar a Serra dos Cristais e ir até o Caminho dos Escravos, uma trilha do século XVIII construída por escravos para facilitar a vida dos tropeiros que transportavam diamantes e pedras preciosas. Apesar de originalmente ser um caminho calçado, hoje em dia as pedras estão soltas e na maioria dos trechos não conseguimos identificar o calçamento de tão desgastado. Repare na foto abaixo a distância entre o Caminho dos Escravos e a cidade ao fundo. Nos perdemos na hora de voltar, mas o perrengue valeu o dia.
Já que não dava pra curtir a tradição histórica da cidade, a parada era buscar aventura. Resolvemos enfrentar a Serra dos Cristais e ir até o Caminho dos Escravos, uma trilha do século XVIII construída por escravos para facilitar a vida dos tropeiros que transportavam diamantes e pedras preciosas. Apesar de originalmente ser um caminho calçado, hoje em dia as pedras estão soltas e na maioria dos trechos não conseguimos identificar o calçamento de tão desgastado. Repare na foto abaixo a distância entre o Caminho dos Escravos e a cidade ao fundo. Nos perdemos na hora de voltar, mas o perrengue valeu o dia.
Amanhã cedo pegamos estrada até Rio de Contas, que já faz parte da Chapada Diamantina, na Bahia. Estou bem ansioso para o trajeto de 780Km entre Diamantina e Rio de Contas: as rodovias do norte de Minas e interior da Bahia passam por alguns dos lugares mais ermos do Brasil. Sertão brabo! Quero ver ema, jegue, caatinga e a tração do carro sendo testada!
domingo, 3 de outubro de 2010
Garotinho ser o deputado federal mais votado do RJ é triste. Mas o cara tem carreira na política e sabe fazer o povo cair no conto do vigário. Promete mundos e fundos e as pessoas acreditam - seja por falta de instrução, por alienação, por desespero ou o que for.
Mas Tiririca ser o deputado mais votado de SP é extremamente vergonhoso. Isso mostra como esse processo eleitoral é uma merda. Porque será que as pessoas votam no Tiririca? O que passa na cabeça delas? Será que votam por ironia? Sarcasmo? Ou é idiotice mesmo?
Mas Tiririca ser o deputado mais votado de SP é extremamente vergonhoso. Isso mostra como esse processo eleitoral é uma merda. Porque será que as pessoas votam no Tiririca? O que passa na cabeça delas? Será que votam por ironia? Sarcasmo? Ou é idiotice mesmo?
sábado, 2 de outubro de 2010
DJ VLAD @ SLOW DOWN LOUNGE

Funk Como Le Gusta - Entrando Na Sua
Issac Hayes - Ike's Rap
Racionais Mc's - Jorge da Capadócia
Tricky - Hell Is Around The Corner
Justin Timberlake - Until The End Of Time
Air - Le Voyage De Penelope
Zero 7 - Destiny
Bob Marley - Stir It Up
Lee Perry - ??
Ayo - Down On My Knees
Erykah Badu - Didn't Cha Know
Marvin Gaye - Let's Get It On
Lauryn Hill - Turn Your Lights Down Low
Portishead - Numb
Boozoo Bajou - Second To None
Tosca - Fuck Dub
Céu - Sonâmbulo
Corinne Bailey Rae - Trouble Sleeping
Bonobo - Noctuary
Norah Jones - Sikin Soon
Ghostface Killah - Paragraphes of Love
Lovage - Lifeboat
Waiwan - Feelin Me Feelin You
Amy Whinehouse - You Know I'm No Good
Link: http://www.mediafire.com/?11i8ci7nb2juv6d
Link: http://www.easy-share.com/1912502496
domingo, 15 de agosto de 2010

Gravei um set de 1 hora com as mais bombadas das pistas de dança em 2010.
Baixa aí!
01 - Beyonce - Ego
02 - NeYo - Be On You
03 - Beyonce & Lady Gaga - Video Phone
04 - Rihanna - Rude Boy
05 - Jay-Z & Alicia Keys - Empire State Of Mind
06 - Black Eye Peas - Imma Be
07 - Lady Gaga & Beyonce - Telephone
08 - Pitbull - Hotel Room Service
09 - Ke$ha - Tik Tok
10 - Justin Bieber & Ludacris - Baby
11 - Kate Perry & Snoop Dogg - California Gurls
12 - Lady Gaga - Bad Romance
13 - David Guetta & Akon - Sexy Bitch
14 - Edwar Maya & Alicia - Stereo Love
15 - Black Eyed Peas - I Got A Feeling
Link: http://www.easy-share.com/1911896998/SET 2010.mp3
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